Opinião

Falta de professores: overdose de socialismo

Falta de professores: overdose de socialismo
O ano letivo de 2022-2023 arranca com a carência de professores no ensino básico e secundário. O Ministério da Educação respondeu alargando o leque de habilitações académicas para se poder exercer a profissão. Ainda assim, o problema poderá persistir em informática, geografia ou físico-química e concentrar-se nas áreas de Lisboa, Vale do Tejo e Algarve.

Não se trata de um mal episódico, mas mais um mal que se sobrepõe aos anteriores, numa continuada degradação do ensino público que se arrasta há décadas.

Se há falta de professores na abertura do ano letivo de 2022-2023 é porque, desde o domínio absoluto do Ministério da Educação por ideólogos e pedagogos socialistas imposto pelo guterrismo (1995-2002), a vida nas escolas viu acumularem-se problemas sobre problemas: indisciplina dos alunos, burocracia, pressões para transições dos alunos sem freio, extensão absurda de currículos e horários que não deixam margem para o pagamento de salários dignos aos professores, ataque aos exames nacionais, centralização disfuncional da colocação de professores, degradação acentuada da qualidade do que se ensina determinado pelas isotéricas «Ciências da Educação» que deprimem os professores, afastando-os do conhecimento propriamente dito e da tranquilidade, por aí adiante.

A bola de neve de disfuncionalidades desembocou, agora, na falta de professores. Só surpreende haver quem se surpreenda. Pior só mesmo acreditar que os socialistas poderão alguma vez resolver a questão, ao mesmo tempo que rejeitam enfrentar o rol de disfuncionalidades estruturais do ensino, que eles mesmos criaram sempre em parceria com comunistas e bloquistas nesta área especialmente eficaz no controlo das sociedades, por via da instrumentalização massificada do pensamento.

Ao responder abrindo a possibilidade compreensível de qualquer licenciado pós-Bolonha poder lecionar (com apenas três anos de licenciatura, sem a profissionalização para a docência correspondente ao mestrado), no entanto o dogmático ministro da Educação, João Costa, não mudará o registo. Irá desperdiçar o que seria um avanço reformista fundamental, a saber, deslocar o enfoque da formação de professores de um pendor ideológico fortíssimo, por via das isotéricas Ciências da Educação, para uma de maior relevância científica ou técnica, esta focada no rigor e qualidade das áreas científicas ou académicas tradicionais de base que os futuros professores trazem das licenciaturas (Matemática, Literatura, Ciências, Filosofia, História, Biologia, entre outras). Essa orientação menos ideológica e mais científica melhoraria estruturalmente a qualidade da docência. Porém, tal reforma iria matar o mercado socialista das Ciências da Educação.

Perante isso, o ministro João Costa não hesita. Irá parasitar no imediato a vertente científica ou académica da formação dos professores, o Conhecimento propriamente dito, para desenrascar o socialismo numa situação de emergência. A estratégia servirá tão-só para dar tempo às Ciências da Educação, o braço intelectual do governo socialista, para se reorganizarem e voltarem à carga ideológica, o que continuará a degradar o ensino.

O controlo mental dos portugueses desde a infância, por via do controlo do modelo de formação dos professores do ensino básico e secundário, é o que move os socialistas. Apenas isso.
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Gabriel Mithá Ribeiro
(Deputado do Partido CHEGA)
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