Por uma política fiscal alternativa

A última estimativa rápida do INE revela que, em 2024, a carga fiscal em percentagem do PIB subiu novamente, desta feita para os 35,7%. Os dados podem ser discutidos sob várias perspetivas, mas, neste caso, algo transparece como inegável: mais uma vez, a arrecadação de receitas fiscais por parte do Estado cresce mais rapidamente do que o crescimento económico medido pelo PIB.

Segundo dados da OCDE, desde 1980 até 2023, Portugal teve o 4.º maior aumento da carga fiscal em percentagem do PIB. Apenas Grécia, Espanha e Itália tiveram pior desempenho. A questão que se coloca é se este aumento se traduziu numa melhoria dos serviços públicos ao dispor dos cidadãos. E aqui a resposta, como infelizmente todos os dias as notícias nos relembram, é um rotundo ‘não’. Não se vêm melhorias na saúde, educação ou justiça, antes pelo contrário, os serviços públicos têm percorrido uma trajetória de deterioração.

Uma política fiscal bem desenhada, simples e proporcional, é condição essencial para que Portugal saia do marasmo económico em que se encontra. Temos um sistema fiscal complexo, burocrático e pesado, que desincentiva todos os cidadãos e empresas que queiram chegar mais longe.

No caso do IRS, a progressividade deste imposto, expressa na nossa Constituição, é levada a um nível pouco razoável. Somos o segundo país da União Europeia com mais escalões de IRS (nove). Em termos de comparação, mais de metade dos países da UE contam com entre um e três escalões.

No caso das empresas, para além da taxa de IRC já ser elevada para os padrões europeus, a criação da derrama estadual introduziu um conceito de progressividade na tributação do lucro que apenas penaliza a produtividade e eficiência. Desta forma, nem as empresas nacionais têm incentivos para crescer, nem as multinacionais têm incentivos para se instalarem no nosso território.

É importante repensar o papel e a dimensão dos impostos em Portugal. Queremos um sistema mais seguro juridicamente para os cidadãos e empresas, mais justo e mais equitativo. Só desta forma conseguiremos construir um ambiente económico mais favorável. Somos alternativa.

 

Artigos do mesmo autor

Durante as últimas semanas, o concelho da Figueira da Foz foi fustigado por diversas intempéries que, apesar de terem causado consequências mais gravosas noutros municípios, não deixaram de causar danos significativos em vários locais na zona urbana e em várias freguesias. De acordo com o estipulado no Código do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), os […]

O Orçamento do Estado é um dos momentos mais marcantes do calendário político em Portugal. É alvo de debate o protagonismo político-mediático que lhe é dado, tendo em conta que um orçamento mais não é do que um documento onde se realiza uma previsão das despesas e das receitas para o período de um ano. […]