Sete casas de primeira habitação e 39 devolutas arderam em Sernancelhe

Sete casas de primeira habitação e de emigrantes arderam no concelho de Sernancelhe, assim como 39 devolutas, revelou hoje o presidente desta Câmara do distrito de Viseu.

PEDRO SARMENTO COSTA/LUSA

O autarca defendeu que as casas dos emigrantes devem ser consideradas para apoios como se fossem casas de primeira habitação.

“Salvo erro, estamos a falar de sete habitações ardidas e 39 devolutas. As sete habitações ardidas incluem também as dos emigrantes, pelo menos duas de emigrantes, o resto é primeira habitação”, disse Carlos Santos.

À agência Lusa, o presidente do Município de Sernancelhe admitiu que ainda não viu “bem ao pormenor” se os apoios do Estado para a recuperação das casas incluem “só as primeiras habitações” do ano inteiro ou também de emigrantes.

“Eu considero a casa de um emigrante também de primeira habitação, porque, vindo do país onde estão a trabalhar para Portugal, a única casa que têm para viver é aquela que construíram aqui em Portugal”, defendeu.

Ou seja, não tendo essa, “não têm mais casa nenhuma, só se for na casa de familiares”.

“Logo, considero que devia ser equiparada a reconstrução de uma casa de um emigrante como uma casa de primeira habitação”, realçou.

No que diz respeito às restantes habitações ardidas, Carlos Santos adiantou que, agora, o olhar sobre as casas devolutas terá de ser outro, “porque colocaram em risco as casas vizinhas”.

“Estão dentro do aglomerado urbano e como não tinham ninguém para as defender, para além de arderem, puseram em risco outras casas vizinhas habitadas. É algo que tem de ser olhado para o futuro, para resolver e para que no futuro essas casas não ponham em causa as outras”, indicou.

Neste sentido, disse que, possivelmente, só depois das eleições autárquicas, marcadas para 12 de outubro, é que o assunto será debatido, mas “terá de haver medidas reforçadas às existentes, de maneira a incentivar a recuperação” dessas casas.

O fogo que chegou a Sernancelhe teve origem em dois incêndios – um que deflagrou no dia 13 em Sátão (distrito de Viseu) e outro no dia 09 em Trancoso (distrito da Guarda), e que no dia 15 se tornou num só, afetando num total 11 municípios dos dois distritos.

Sátão, Sernancelhe, Moimenta da Beira, Penedono e São João da Pesqueira (distrito de Viseu); e Aguiar da Beira, Trancoso, Fornos de Algodres, Mêda, Celorico da Beira e Vila Nova de Foz Côa (distrito da Guarda) foram os concelhos atingidos.

Esse incêndio entrou em resolução pelas 22h00 de dia 17.

Portugal continental foi afetado por múltiplos incêndios rurais de grande dimensão em julho e agosto, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Os fogos provocaram quatro mortos, incluindo um bombeiro, e vários feridos, alguns com gravidade, e destruíram total ou parcialmente casas de primeira e segunda habitação, bem como explorações agrícolas e pecuárias e área florestal.

Portugal ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, ao abrigo do qual dispõe de dois aviões Fire Boss, um helicóptero Super Puma e dois aviões Canadair.

Segundo dados oficiais provisórios, até 23 de agosto arderam cerca de 250 mil hectares no país, mais de 57 mil dos quais só no incêndio que teve início em Arganil.

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