BES, Marquês, Odair Moniz (e mais). Justiça regressa com casos mediáticos

Os tribunais voltam a funcionar em pleno, depois de um mês e meio de férias judiciais, com a continuação e início de julgamentos mediáticos como o caso BES, Operação Marquês e a morte de Odair Moniz.

PEDRO NUNES / LUSA

O primeiro julgamento a recomeçar é o processo Operação Marquês, que tem sessão marcada para esta terça-feira. O antigo primeiro-ministro José Sócrates, que é o principal arguido deste processo que conta com 21 acusados de 117 crimes de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal, deverá continuar as suas declarações iniciais.

O julgamento do caso Operação Marquês começou a 3 de julho e o coletivo liderado pela juíza Susana Seca ouviu as declarações iniciais do ex-primeiro-ministro socialista durante três das quatro sessões realizadas.

A continuação do julgamento do processo principal relacionado com a falência do Banco Espírito Santo (BES) está marcada para 08 de setembro. Neste caso, em que o antigo presidente do BES, Ricardo Salgado, é o principal arguido, o tribunal vai continuar a ouvir testemunhas – há mais de 700 testemunhas chamadas pela acusação e pelas defesas.

Ainda na área da banca, a Justiça retoma a 15 de setembro o julgamento do processo relacionado com o BES Angola (BESA) e que inclui crimes como abuso de confiança, branqueamento e burla.

Além de Ricardo Salgado, o ex-presidente do BESA, Álvaro Sobrinho, é outro dos principais arguidos.

Ainda em setembro, no dia 17, será lido o acórdão do caso relacionado com insultos e tentativas de agressão de negacionistas ao ex-almirante Henrique Gouveia e Melo e a Ferro Rodrigues, ex-presidente da Assembleia da República. O caso tem 10 arguidos e o julgamento teve três sessões.

Sem data, mas a apontar para o mês de setembro está também a decisão relacionada com o processo em que a dupla de cantores Anjos exige uma indemnização de mais de um milhão de euros, por prejuízos que terão sido causados por um vídeo divulgado pela humorista Joana Marques.

A terminar está também o processo das golas antifumo, cuja leitura do acórdão ficou marcada para o dia 31 de outubro.

Um dos 19 arguidos deste processo é o ex-secretário de Estado da Proteção Civil José Artur Neves e em causa estão crimes de fraude na obtenção de subsídio, participação económica em negócio e abuso de poder, relacionados com a contratação pública e compra de golas de autoproteção no programa ‘Aldeia Segura – Pessoas Seguras’, lançado na sequência dos incêndios florestais de 2017.

Outubro será também mês de início de julgamentos, com o arranque do julgamento do agente da PSP acusado do homicídio de Odair Moniz na Cova da Moura, Amadora, em outubro do ano passado. A primeira sessão está marcada para 15 de outubro no tribunal de Sintra.

O julgamento do processo Operação Lex, que envolve o antigo presidente do Benfica Luís Filipe Vieira e o ex-desembargador Rui Rangel, tem início em outubro – com os dias 15, 22 ou 29 como datas possíveis -, com a primeira sessão a acontecer no Supremo Tribunal de Justiça.

O caso de Duarte Lima também poderá conhecer desenvolvimentos em setembro, uma vez que o Ministério Público pediu em julho um prazo de 45 dias para receber do Brasil as gravações que faltam no processo do antigo deputado do PSD, acusado do homicídio de Rosalina Ribeiro em 2009.

Caso não chegue nenhuma informação do Brasil, o Ministério Público vai pronunciar-se no sentido de pedir ou não o início de julgamento e esta decisão poderá acontecer ainda em setembro.

As férias judiciais terminam com alguns casos mediáticos sem conclusão. O resultado da investigação preventiva à Spinumviva, empresa da família de Luís Montenegro, ainda não é conhecido, não se sabendo até ao momento se a mesma foi arquivada ou se foi aberto inquérito.

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