Portugal junta-se a 48 países para reforçar prevenção contra incêndios

Um grupo de 49 países, entre eles Portugal, comprometeu-se a combater os incêndios florestais através da prevenção e de uma maior cooperação internacional.

© LUSA/ Estela Silva

“Estamos empenhados em consolidar uma estratégia que alie conservação ambiental e resiliência climática, através da valorização dos serviços dos ecossistemas florestais, da promoção da biodiversidade e da prevenção de incêndios”, frisou na quinta-feira o primeiro-ministro, Luís Montenegro, na cimeira de líderes da conferência do clima, a COP30, que decorre em Belém, na Amazónia brasileira.

“Os nossos ecossistemas florestais apresentam um conjunto de desafios, nomeadamente o risco de incêndio, que nos obrigam a agir”, acrescentou.

No compromisso “Chamado à Ação sobre Manejo Integrado do Fogo e Resiliência a Incêndios Florestais”, os signatários reconhecem que os incêndios são uma das manifestações mais dramáticas das alterações climáticas, afetam todos os Estados por igual e constituem um desafio que “nenhum país é capaz de enfrentar sozinho”.

“É esta consciência e este propósito de ação que nos leva a confirmar hoje [quinta-feira] que subscreveremos” este compromisso, disse o chefe do Governo português.

Nesse sentido, os países comprometeram-se a “promover uma transição de abordagens centradas na supressão do fogo para estratégias integradas baseadas na prevenção, a fim de alcançar resiliência sistémica”.

Na prática, isso significa, por exemplo, apostar na abertura de corta-fogos e na limpeza regular das matas para evitar o surgimento de incêndios, em vez de investir apenas na compra de aviões para os apagar.

Além disso, acordaram reforçar a cooperação internacional para prevenir, combater e recuperar dos incêndios, que nos últimos anos atingiram com especial virulência países como Portugal, Bolívia, Estados Unidos, Brasil, Espanha e Grécia, entre muitos outros.

Neste âmbito, pretendem estabelecer um protocolo de atuação para se ajudarem mutuamente o mais rapidamente possível.

“Isso inclui intensificar a colaboração transfronteiriça e interinstitucional” mediante o uso partilhado de tecnologias e boas práticas, acrescenta a declaração.

Além disso, pretendem apoiar as populações locais, como os povos indígenas, e combater os crimes ambientais.

Entre os países que apoiaram o apelo estão Alemanha, Brasil, Canadá, Chile, China, Colômbia, Cuba, Espanha, Equador, Grécia, Indonésia, Japão, Líbano, Marrocos, México, Panamá, Países Baixos, Peru, Portugal, Reino Unido, República Dominicana, Rússia, Uruguai, Coreia do Sul e Coreia do Norte.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, iniciou na quinta-feira uma visita de dois dias a Belém para participar da Cimeira do Clima, uma reunião de líderes mundiais que antecede a COP30.

A Cimeira do Clima reunirá delegações de 143 países, das quais pouco mais de um terço serão chefiadas pelos respetivos líderes nacionais, com a ausência confirmada dos três líderes dos países mais poluidores do mundo (China, Estados Unidos e Índia).

Entre os líderes que confirmaram publicamente a presença estão o Presidente francês, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

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