Apenas um terço das entidades do SNS tem estratégia para a inteligência artificial

Apenas um terço das unidades locais de saúde e dos institutos de oncologia dispõe de uma estratégia definida para a inteligência artificial (IA) e foram detetadas “lacunas significativas” em áreas críticas como a cibersegurança.

© D.R.

As conclusões constam de uma auditoria da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), a que a agência Lusa teve hoje acesso, e que indica que a “implementação da inteligência artificial no Serviço Nacional de Saúde (SNS) se encontra numa fase inicial e heterogénea”.

A auditoria pretendeu avaliar se as entidades hospitalares do SNS – 39 unidades locais de saúde e três institutos de oncologia – asseguram que esta tecnologia contribui para a melhoria da qualidade dos cuidados de saúde, garantem a proteção dos direitos dos utentes e promovem uma gestão eficiente, ética e segura dos recursos públicos.

Na prática, a IGAS conclui que apenas 12 das entidades auditadas possuem uma estratégia definida para a IA, estando 10 em desenvolvimento, enquanto 14 não têm qualquer estratégia.

No que se refere às competências e conhecimentos especializados, a inspeção-geral apurou que 14 entidades têm planos de formação em inteligência artificial, mas 60% não promovem a literacia digital nessa área para os profissionais de saúde ou para os utentes.

“Constatou-se a necessidade de uma maior capacitação para um uso seguro e ético da inteligência artificial”, refere o relatório.

Outra das conclusões indica que 21 entidades adotaram medidas para garantir direitos como privacidade e não discriminação, mas apenas três informam os utentes quando interagem com inteligência artificial, por exemplo, através de assistentes virtuais.

“No capítulo ético, embora a maioria das entidades adote medidas para garantir direitos como a privacidade, a transparência é diminuta: apenas três informam os utentes de que estão a interagir com um sistema de inteligência artificial”, alerta a IGAS, que concluiu ainda que se verificou uma baixa avaliação sistemática dos benefícios e riscos da IA.

Ao nível da segurança, a auditoria permitiu constatar que 16 entidades do SNS adotaram medidas específicas de cibersegurança para a IA, 15 têm planos de gestão de riscos, mas muitos ainda estão em desenvolvimento, e as preocupações críticas nesta área estão relacionadas com os riscos de ciberataques e o acesso não autorizado.

No ponto relativo ao financiamento, verificou-se uma dependência externa, com pouca capacidade de autofinanciamento, com várias ULS a recorrer a fontes como o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o Programa Inovação e Transição Digital (Compete 2020) e o programa Horizon Europe, refere a IGAS.

“A auditoria demonstrou que a IA no SNS está numa fase inicial, com avanços em algumas entidades, mas falta coordenação e investimento em áreas críticas”, salienta o documento, que considera que as conclusões podem servir “como mais uma ferramenta para orientar a implementação ética, segura e eficiente da inteligência artificial na área da saúde”.

Sendo uma auditoria de caráter exploratório, centrada no período de 2024 e no primeiro trimestre de 2025, a IGAS não emitiu recomendações formais às unidades locais de saúde e aos institutos de oncologia.

Últimas do País

O líder do CHEGA denuncia atrasos na comissão de inquérito à gestão do antigo diretor nacional da PJ e atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, e defende: “Não vejo nenhum motivo para que [a CPI] não seja aprovada.”
A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) revelou hoje que o curso de formação de Guardas que decorria em Portalegre "foi interrompido", devido à "existência de uma praga de percevejos" nas instalações.
Dois reacendimentos entre Alvito da Beira e a aldeia de Mó, no concelho de Proença-a-Nova, são, às 15.44 horas, as situações mais preocupantes no terreno, disse à agência Lusa o presidente da Câmara.
Sete pessoas morreram nas estradas entre 08 e 14 de setembro, menos três do que no mesmo período do ano passado, quando decorreu a campanha 'Cinto-me vivo', realizada pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), GNR e PSP.
Fiscalização descobriu um estabelecimento comercial em Algueirão-Mem Martins que estava a ser utilizado como residência permanente por várias pessoas. Operação nasceu de denúncias sobre alegadas habitações ilegais dentro de lojas e suspeitas de crianças em risco.
Uma pessoa morreu hoje junto ao apeadeiro da Aguda, em Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, depois de ter sido colhida por um comboio e a Linha do Norte foi retomada em via única.
Os portugueses já pagaram mais de dois mil milhões de euros em portagens para atravessar as pontes sobre o Tejo, um valor que supera em mais de duas vezes o custo nominal original das duas infraestruturas. Perante décadas de cobrança e uma fatura que continua a aumentar todos os anos, o CHEGA quer agora acabar com as portagens nas duas travessias do Tejo, através de uma iniciativa já entregue na Assembleia da República.
A PSP registou seis infrações nas primeiras horas do primeiro dia de proibição de veículos pesados sem destino às cidades do Porto ou de Gaia na Via de Cintura Interna (VCI), revelou hoje fonte do Comando Metropolitano do Porto.
O Ministério Público abriu um inquérito ao diretor nacional e a outros dirigentes da Polícia Judiciária por alegados crimes de falsas declarações e abuso de poder, confirmou a Procuradoria-Geral da República (PGR).
As autoridades policiais detiveram hoje nove pessoas suspeitas de auxílio ao tráfico de estupefacientes e apreenderam 100 jerricãs com combustível, no concelho de Albufeira, anunciou a Unidade de Controlo Costeiro da GNR.