Escrevo este artigo no respaldo do debate entre Luís Marques Mendes e António Filipe para as eleições presidenciais.
Neste debate, veio ao de cima a diferença na perceção de dois dos acontecimentos mais relevantes da história moderna de Portugal: O 25 de novembro e do 25 de abril.
Sem surpresas, o candidato comunista acusa a direita de ser “reacionária”, quando se ousa sequer mencionar o 25 de novembro, data esta, que vive na memória dos comunistas como um dia de infâmia, relembrando-lhes sempre o seu golpe falhado.
Já Marques Mendes, afirma que foi no 25 de novembro que se cumpriram os valores do 25 de Abril. Mas, que valores?
O valor do terrorismo das brigadas revolucionárias como as brigadas vermelhas? das ocupações de Camilo Mortágua? Do coletivismo e nacionalizações forçadas? Claramente, a história foi mal contada durante 50 anos.
Muito gostam os arautos da liberdade e da moral, descer a avenida da liberdade no dia 25 de abril, dizendo que foi tudo um mar de rosas, ignorando por conveniência, os saneamentos nas instituições públicas de quem não era de esquerda, a proibição de todos os partidos à direita, e, o estado constante de pré-guerra civil.
Este estado de caos e desordem era facilitado por figuras como Vasco Gonçalves, presidente do conselho da revolução entre outros integrantes deste mesmo órgão, como Otelo Saraiva de Carvalho e vários dos integrantes do MFA, todos eles com algum tipo de afeto ao PCP ou a movimentos revolucionários de guerrilha. Não é segredo que a ideologia comunista dominava o MFA e as suas chefias, sendo o conselho da revolução conivente nas ocupações e desordem, que se sucedeu.
Mais tarde, toda a desordem resultou na tentativa de golpe de 25 de novembro, em que, o bando sublevado saiu derrotado por crédito a Jaime Neves, Ramalho Eanes e aos comandos portugueses, facto que o Partido Comunista continua a recusar, votando contra a nota de pesar aquando da morte do Major General em 2013.
Só com o 25 de novembro a normalidade foi reposta, marcando assim o período do PREC e da selvajaria proto-comunista.
A meu ver, o 25 de Abril nunca foi “puro”, sempre teve a intenção de encaminhar Portugal para o comunismo, tal como está descrito no preambulo da CRP, sofrendo este sempre do “pecado originário” do autoritarismo de esquerda.
Por consequência, isso torna os “valores de abril” sendo o autoritarismo e a perseguição politica, escolhendo a esquerda celebrar abril porque foi o mais perto que conseguiram de “sovietizar” Portugal, não tendo uma resposta sólida por parte da direita fofinha e do centro-esquerda, que se acobardaram em dar a novembro a sua devida importância, tanto é, que só se menciona que foram distribuídos cravos vermelhos (cor associada a esquerda) e mal se faz menção dos cravos brancos.
Só em Novembro veio a, liberdade e a ordem, o cravo vermelho nunca me representou nem me representará, escolho sempre a rosa branca e o cravo branco.