Presidenciais: A maior abstenção de sempre foi há cinco anos com covid-19

A covid-19 e o recenseamento automático dos portugueses no estrangeiro desenvolvem para aumentar a taxa de abstenção nas eleições presidenciais, com 60,76% dos candidatos a não votarem em 2021, ano da reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa.

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Apenas 39,24% dos participantes participaram nas últimas eleições presidenciais, realizadas no momento mais grave da propagação da covid-19 em Portugal, com o baixo número de votantes a ser também justificado pelo recenseamento eleitoral automático dos emigrantes com cartão de cidadão válido, que decorreu de uma mudança à lei, feita em 2018.

Em 2021, dos 1.549.380 inscritos no estrangeiro, apenas 29.153 votaram, apenas 1,88%. A ‘gigante’ taxa de abstenção lá fora, de 98,12%, contrastou com a registada em território nacional, que foi de 54,55%.

Antes, a mais alta taxa de abstenção nas eleições presidenciais no pós-25 de Abril foi a da reeleição de Cavaco Silva, em 2011, quando 53,56% dos candidatos não se dirigiram às urnas.

A primeira eleição de Marcelo Rebelo de Sousa, em 2016, ocupa o último lugar do ‘pódio’ das taxas de abstenção, com 51,34% de abstencionistas.

Nas reeleições ocorre, normalmente, uma menor afluência às urnas, como aconteceu no segundo mandato de Jorge Sampaio, em janeiro de 2001, quando houve 50,29% de abstencionistas.

A excepção à ‘regra’ de maior abstenção numa reeleição é protagonizada pelo general António Ramalho Eanes, que foi reeleito em 1980, num escrutínio que registou uma menor percentagem de abstencionistas, cerca de 15%.

Esta foi, aliás, a eleição presidencial mais disputada de sempre, com uma participação de 84,39% dos candidatos inscritos.

Antes de as taxas superaram os 50% no século XXI, apenas por três vezes a renúncia ao voto se tinha situada na casa dos 30%: 37,84% na reeleição de Mário Soares, em 1991; 33,71% na primeira eleição de Jorge Sampaio, em 1996, e 38,47% no sufrágio ganho por Aníbal Cavaco Silva, em 2006.

Nos restantes atos eleitorais, a abstenção variou entre os 24,53%, quando Ramalho Eanes se tornou o primeiro presidente eleito por sufrágio universal, em 1976, e os 24,62% ​​e 22,01%, na primeira e segunda voltas, respetivamente, da votação em 1986, que elegeu pela primeira vez Mário Soares.

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