PJ desmantela rede de tráfico de droga proveniente de África através do Aeroporto de Lisboa

A Polícia Judiciária (PJ) desmantelou uma rede de tráfico que operava através do Aeroporto de Lisboa, a partir de África, tendo apreendido cocaína e detido hoje mais dois suspeitos da investigação iniciada em 2025, entre eles o alegado cabecilha.

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Numa nota hoje divulgada, a PJ adianta que esta investigação, em colaboração com a Autoridade Aduaneira, e que agora levou à detenção de mais dois suspeitos fora de flagrante delito, teve origem numa ação de fiscalização a uma bagagem proveniente de um país africano e que continha no seu interior, dissimulada entre produtos alimentares, 1.648 gramas de cocaína, avaliada em várias dezenas de milhar de euros.

Contudo, essa bagagem não foi reclamada pelo seu titular, tendo posteriormente sido levantada por outra pessoa, que acabou detida em flagrante delito e ficou então em prisão preventiva.

Para a Judiciária, este modo de atuação “evidencia o recurso sistemático a intermediários para transporte e recolha de estupefacientes, uma prática recorrente nas redes de tráfico internacional”.

A investigação permitiu identificar “o principal responsável pela operação”, que, segundo a PJ, “coordenava os movimentos da rede à distância através de aplicações de comunicações encriptadas, emitindo instruções detalhadas sobre a recolha de bagagem e os locais de espera”.

Este alegado cabecilha da rede foi detido hoje, no concelho de Sintra, na posse de estupefacientes, na sequência de dois mandados de detenção fora de flagrante delito e três de buscas domiciliárias.

A PJ acrescenta que, paralelamente, o suspeito em nome do qual estava registada a bagagem apreendida em 2025 foi também detido hoje no decorrer da operação, aguardando agora os dois suspeitos a audição em primeiro interrogatório judicial e aplicação de medidas de coação.

A nota acrescenta que foram ainda apurados “avultados montantes financeiros” em contas bancárias associadas ao principal suspeito, “sem correspondência com rendimentos lícitos conhecidos” e confirmado que este já tinha antecedentes criminais, incluindo detenções anteriores na posse de produto estupefaciente, arma branca de grandes dimensões e botijas de óxido nitroso.

A PJ considera que este caso se “insere num contexto de criminalidade altamente organizada, caracterizado por planeamento rigoroso, compartimentação de funções e métodos destinados a dificultar a ação das autoridades”, salientando que “estas redes estruturadas recorrem de forma reiterada a terceiros para execução de tarefas de maior risco, como transporte, recolha ou entrega de estupefacientes, procurando afastar os responsáveis do contacto direto com a droga”.

Estes intermediários, vulgarmente conhecidos por “mulas”, adianta, estão frequentemente em situação de vulnerabilidade económica ou social e são aliciados com promessas de ganhos rápidos e, embora conscientes da gravidade do crime, assumem os maiores riscos e a exposição penal mais imediata, sendo tratados pelas redes criminosas como facilmente substituíveis”.

A PJ aconselha todos os cidadãos em situação mais vulnerável a recusarem qualquer pedido para transportar, guardar ou levantar bagagens, encomendas ou bens em nome de terceiros, sobretudo quando associados a compensações financeiras, instruções pouco claras ou promessas vagas, lembrando que a aceitação destes pedidos pode ter consequências criminais graves, independentemente do grau de envolvimento.

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