Mau tempo: Empresários de frutas e legumes lamentam ajudas “paliativas” do Governo

Empresários das frutas e legumes portugueses, que marcam presença na feira Fruit Logistica, em Berlim, consideram as medidas anunciadas pelo Governo “paliativos” que podem pôr em risco a atividade de muitos produtores.

© D.R.

“As medidas que estão a ser anunciadas [face ao impacto do mau tempo] são claramente paliativos, não tem sentido limitar o valor a 400 mil euros. Existem explorações de diferentes dimensões e as coisas têm de estar ajustadas. Não se podem ajustar as ajudas ou o restabelecimento do potencial produtivo só às explorações de menor dimensão”, lamenta Sérgio Constantino.

Para o sócio e administrador das Frutas Classe, presentes na zona oeste de Portugal, o Governo incentiva as empresas a ganharem escala, mas não contempla a dimensão quando decide atribuir as ajudas.

“Esta situação está a afetar-nos muito gravemente, temos cerca de 45 hectares de estufas que estão 100% destruídas e por consequência a cultura não se prevê que venha a produzir nada que pague sequer o investimento de a colocar na terra”, confessa, em declarações à agência Lusa.

O Ministério da Agricultura vai abrir uma medida de restabelecimento do potencial produtivo, devido ao impacto do mau tempo, para investimentos entre 5.000 e 400.000 euros, cuja taxa de apoio pode chegar aos 100%.

“Se isto ficar da forma que está anunciado, claramente vai ser inviável para muitos continuar”, admitiu o empresário da Frutas Classe que vem à Fruit Logistica há mais de 10 anos.

“Temos muitos campos alagados onde já não vamos conseguir colher nada”, partilha Carlos Miguel, administrador da Horta Pronta, que dedica cerca de 20% da produção à exportação.

“Está a afetar as couves, principalmente. Umas estão debaixo de água, outras não conseguimos entrar nos campos para colher. A preocupação é as plantações e as sementeiras que não estamos a conseguir fazer. Não vamos ter produto”, explicou.

Para Joel Vasconcelos, diretor-geral da LusoMorango, organização com 42 produtores, a grande maioria no sudoeste alentejano, os produtores querem reerguer-se, mas precisam de condições para que isso aconteça.

“Defendemos que as medidas de apoio têm de ser alargados a todos os territórios que foram efetivamente afetados por esta depressão. Obviamente que uns foram atingidos de uma forma mais dramática que outros, mas todos têm de ser apoiados pelas várias medidas que estão à disposição do governo português”, defende.

“Os produtores estão a fazer o levantamento dos prejuízos. Já fizemos um comunicado público dando conta das perdas que, para alguns produtores, chegam aos 70% da sua exploração agrícola”, adianta, revelando que 93% do que produzem é destinado à exportação.

Os últimos dados disponíveis indicam que, entre janeiro e novembro de 2025, as exportações de frutas, legumes e flores somam 2,39 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 5,3% face ao mesmo período do ano anterior.

Neste campo, Espanha, França, Países Baixos, Alemanha e Reino Unido surgem como os principais destinos das exportações portuguesas, sendo que os pequenos frutos, tomate de indústria e tomate fresco, citrinos e frutos secos são alguns dos produtos em destaque.

A Portugal Fresh, a Associação para Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal, marca presença na Fruit Logistica, que termina hoje, com 24 empresas, associações de produtores e parceiros.

Últimas do País

Mais de 91% das Unidades de Saúde Familiares registaram no último ano três ou mais episódios de indisponibilidade de aplicações informáticas e mais de 82% registaram falhas de material básico, revela um estudo que é esta sexta-feira apresentado.
A GNR deteve um homem de 22 anos na Maia por suspeita de tráfico de droga e ameaças com arma de fogo, numa investigação que envolveu os concelhos de Gondomar e Porto. Além do suspeito, dois homens e uma mulher foram constituídos arguidos.
Uma massa de ar quente do norte de África vai atravessar Portugal esta sexta-feira e sábado, trazendo poeiras em suspensão que podem ter efeitos sobre a saúde, sobretudo da população mais sensível, alertou a Direção-Geral da Saúde (DGS).
Adolescente foi atingido durante uma rixa entre jovens, na Abrunheira. Vítima sofreu uma perfuração pulmonar e foi transportada para o Hospital Amadora-Sintra, onde poderá ser operada.
Um homem condenado anteriormente por incêndio florestal foi detido novamente em Vale de Cambra, no distrito de Aveiro, por suspeita de atear fogo em setembro, segundo a Polícia Judiciária.
O número de mortes em Portugal diminuiu 1,1% nos primeiros nove meses do ano, comparativamente ao mesmo período de 2025, mas os óbitos de crianças com menos de um ano aumentaram 7,7%, revelam hoje dados do INE.
A iniciativa do CHEGA recebe luz verde parlamentar e pretende garantir a cobrança efetiva dos cuidados de saúde prestados a cidadãos estrangeiros não residentes ou em situação irregular, evitando encargos por recuperar no SNS.
O CHEGA conseguiu fazer aprovar, na Assembleia da República, um projeto de resolução que recomenda ao Governo o reforço da segurança e da proteção das mulheres e de outros utilizadores vulneráveis nos transportes públicos. A iniciativa pretende combater o assédio sexual, a violência, a intimidação e a criminalidade que afetam diariamente milhares de portugueses, particularmente mulheres, menores de idade, idosos e pessoas com deficiência ou mobilidade condicionada.
Um homem de 33 anos foi detido no Funchal, Madeira, por tráfico de droga e ficou em prisão preventiva, indicou a PSP, que apreendeu dois quilos de haxixe no decurso da operação.
Três homens e uma mulher foram detidos na Operação Corrupio. A Polícia Judiciária apreendeu várias drogas, milhares de euros em dinheiro, viaturas de alta gama e material alegadamente utilizado em burlas informáticas.