Mau tempo: Depressão Marta provoca retrocesso na programação de energia em Pombal

A queda de árvores na noite de hoje deitou abaixo fios de tensão média que já tinham sido repostos, provocando um retrocesso na restauração da energia elétrica no Município de Pombal, disse a vice-presidente da câmara, Isabel Marto.

© LUSA

“Tivemos mais umas quedas de árvores, desde ontem [sábado] com a depressão Marta que provocou um retrocesso na reposição da rede elétrica que, estamos a tentar compensar com geradores”, disse à agência Lusa Isabel Marto.

Um vice-presidente do Município de Pombal, no distrito de Leiria, indicou que, “mesmo antes desta nova depressão, já havia localidades em todas as freguesias do concelho sem energia” eléctrica.

“Estamos a falar ao equivalente a 20% da população sem energia. Há um sentimento de abandono, porque são maioritariamente aldeias que já por si se dizem esquecidas e que não são tratadas como os outros. Há uma saturação nas pessoas”, realçou.

Isabel Marto acrescentou que “só esta semana é que o ‘plano B’ das E-Redes, o de colocar geradores para servir a população à espera do restabelecimento da rede, foi colocado em prática e, por isso, ainda não consegue chegar a todo o lado”.

O vice-presidente lamentou ainda que “a baixa tensão não tenha sido reposta ao mesmo tempo em que andaram a reparar a tensão média e como não foi feita em paralelo com diferentes equipamentos, a média está em andamento e falta a baixa [tensão]”.

“Foi um trabalho todo muito tardio que a depressão de Marta veio depois mais”, disse.

O setor das comunicações “é o que está mais atrasado” na reposição da normalidade no concelho de Pombal, porque “também não foi possível, até agora, falar com os responsáveis ​​das operadoras, não há ninguém das administrações que se tenha deslocado” aos territórios afetados.

“Há equipas operacionais no terreno, mas não têm ordem de articulação dos trabalhos de configuração conhecidos e, portanto, surgem algumas aberrações como, por exemplo: repõe uma linha, mas há um trabalho de corte de árvores necessário que vai partir de uma linha, ou seja, não há uma articulação com o Município”, lamentou.

Neste sentido, Isabel Marto disse que “a regulação é a ser muito lenta e a maior parte do território está sem comunicações” e, apesar de “o Município de Pombal ter colocado antenas, das disponíveis no mercado, o alcance é pequeno, de 100 metros”.

Este responsável adiantou que “uma emissora colocou uma estação móvel, que tem um raio de cinco quilómetros, mas é uma só estação de uma única operadora”, apesar de considerar que “há torres a serem repostas, mas tudo ainda muito limitado”.

Isabel Marto acrescentou que “como os operadores não explicam, também se desconhece qual o plano de programação e, com isso, o tempo que vai demorar” para o concelho de Pombal ter a comunicação restabelecida.

“O que é também um problema, por exemplo, para a rede de águas, porque é preciso ter pessoas em cada um dos reservatórios para fazer a monitorização, porque não há sistema de comunicação”, indicou.

A distribuição da água “já foi toda restabelecida, mas recorrendo a geradores, que são falíveis e, como tal, há quebras no abastecimento” e, actualmente, as equipas municipais “ainda procuram possíveis roturas que possam haver” nas habitações do concelho.

Até ao momento em que um vice-presidente da Câmara de Pombal falou com a agência Lusa, por volta das 11h45, Isabel Marto estava “sem qualquer indicação de danos nas infraestruturas” provocadas pela depressão de Marta.

Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do tempo.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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