Ligam para o 112 para pedir pizzas e táxis: sete em cada 10 chamadas não eram emergência

Pedidos de pizza, táxis, canalizadores e chamadas feitas apenas por falta de saldo no telemóvel. Perto de quatro milhões de chamadas feitas no último ano foram indevidas, sufocando a linha de emergência e atrasando o socorro a quem realmente precisa.

©INEM

Quase quatro milhões das 5,4 milhões de chamadas efetuadas para o 112 no último ano foram consideradas indevidas, o que representa 73,5% do total, segundo dados avançados pela PSP ao Jornal de Notícias (JN). A força de segurança, responsável pela monitorização da linha de emergência, alerta para o impacto direto deste uso abusivo na capacidade de resposta a situações efetivamente críticas.

Entre os contactos desnecessários, 1,2 milhões correspondem a chamadas abandonadas antes de qualquer atendimento. Outras tiveram motivações completamente alheias à emergência médica, policial ou de proteção civil: desde chamadas feitas por falta de saldo no telemóvel (uma vez que o 112 é gratuito) até pedidos de táxi, canalizadores ou encomendas de comida.

Apesar do cenário preocupante, os números revelam uma tendência de descida no volume global de chamadas, pelo segundo ano consecutivo, indica o JN. A redução verifica-se tanto no número total de contactos como nas chamadas indevidas e abandonadas, embora os valores continuem elevados.

A PSP sublinha que a utilização abusiva do 112 compromete a eficácia do socorro e pode mesmo custar vidas, reforçando que a linha deve ser usada exclusivamente em situações de emergência real. Cada chamada desnecessária representa tempo crítico desperdiçado para quem precisa de ajuda imediata.

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