Mau tempo: Proteção Civil registou 678 ocorrências sobretudo em Coimbra

A Proteção Civil registou na quinta-feira 678 ocorrências relacionadas com o mau tempo em Portugal continental, sendo em maior número inundações, queda de árvores e deslizamentos de terra que afetaram sobretudo a região de Coimbra.

© Paulo Novais/Lusa

Num balanço pelas 00:15 de hoje, fonte da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) indicou que as maiores ocorrências estiveram relacionadas com inundações, queda de árvores, limpeza de vias e movimento de massas ou deslizamento de terras.

Nestas operações estiveram empenhados 2.267 operacionais, apoiados por 973 meios terrestres.

A região mais afetada foi Coimbra, com ocorrências relacionadas com as cheias no rio Mondego.

O comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, alertou ao final da tarde de quinta-feira a população de Coimbra para o risco de cheias na zona baixa da cidade, devido à possibilidade de descargas superiores a 2.300 metros cúbicos por segundo (m3/s) na Barragem da Aguieira.

Ainda sobre o distrito de Coimbra e do rio Mondego, o comandante nacional da Proteção Civil adiantou que decorrem os trabalhos de consolidação do rio Velho, evitando que a água possa atingir a zona de Montemor-o-Velho.

Mário Silvestre alertou também para o agravamento do estado do tempo nas próximas horas, com previsão de chuva forte e persistente, avisando para o risco de cheias rápidas e deslizamentos de terras.

O comandante nacional da ANEPC advertiu que as condições meteorológicas adversas poderão ter um impacto significativo na região da Grande Lisboa e na Península de Setúbal, podendo ocorrer inundações em meio urbano, nomeadamente em garagens e zonas subterrâneas.

“Impera aqui a questão da segurança e da precaução no que diz respeito ao comportamento cívico das pessoas, nomeadamente à salvaguarda dos seus bens e evitarem, nomeadamente, o estacionamento em zonas potencialmente alagadas e também zonas onde as árvores poderão ser, no fundo, um risco para as populações”, aconselhou.

Por outro lado, o comandante nacional referiu que o plano especial da Bacia do Tejo mantém-se no nível vermelho, o mais elevado, havendo também risco de cheia nas zonas ribeirinhas do rio.

Devido a esta situação, Mário Silvestre advertiu para o risco de inundações nas zonas ribeirinhas do Tejo, nomeadamente nas lezírias.

Segundo a Proteção Civil, estão ativados 12 planos distritais e 124 planos municipais de emergência, bem como 15 declarações de situação de alerta emitidas por municípios.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera colocou todos os distritos de Portugal continental, à exceção de Bragança, em aviso amarelo devido à chuva “persistente e por vezes forte”.

Todos os distritos vão estar a partir desta madrugada em aviso amarelo de vento, devido a rajadas até 80 quilómetros por hora (km/h), sendo até 100 km/h nas serras ou terras altas.

Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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