Mau tempo: Rio Maior contabiliza 9,9 milhões de euros em prejuízos

O município de Rio Maior estima que os prejuízos do mau tempo das últimas semanas no concelho ascendam a 9,9 milhões de euros, a maior parte relativos a danos em estradas municipais, informou hoje a autarquia.

© CMO

O balanço provisório entregue pela câmara municipal deste concelho do distrito de Santarém à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT), aponta “para um prejuízo a rondar os 9,9 milhões de euros, sendo que as estradas são consumidoras da esmagadora maioria deste valor”, disse hoje à agência Lusa o presidente da autarquia, Filipe Santana Dias.

Os danos, que afetaram mais de duas dezenas de caminhos e estradas municipais, estão a ser reparados pelo município, que confirmou à Lusa que “nessas vias de operações relativamente mais simples estão a abrir-se estradas todos os dias, permitindo repor a circulação”.

Porém, a solução será mais morosa nos casos da derrocada da estrada municipal de Fonte Longa, na freguesia de Alcobertas, e da via que liga à localidade de Marmeleira.

“Quer numa situação, quer noutra, estamos já a contratualizar projetos de execução para podermos dar seguimento a este processo”, afirmou o presidente, reconhecendo que, em ambos os casos, são intervenções que “necessitarão de recursos de estacaria, o que faz com que sejam obras muitíssimo dispendiosas e morosas na sua regularização”.

“O que o município pode fazer no imediato está a fazer, que é contratar projetos técnicos com os estudos geotécnicos associados a projetos desta grandeza”, assegurou Filipe Santana Dias, vincando que, “se não for o apoio do Governo, será impossível ao município do Rio Maior, com fundos próprios, fazer estas intervenções num tempo recorde”.

Para já, a autarquia está “a custear esses projetos na esperança de também poder ser apoiado na execução dos mesmos”, mas, sublinhou, “seja que não seja, é daquelas coisas que não pode esperar” e tem de “avançar já”.

A autarquia aguarda também “um parecer do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) para avaliar se pode ou não ser reaberta a estrada de ligação entre Azinheira e Quintas, via próxima de uma pedreira de exploração de sílica.

“A estrada não apresenta nenhum dano, além daqueles que já tinha, danos normais de uso e, portanto, pretendemos proceder à abertura, mas não o faremos sem ter uma opinião técnica”, disse o autarca, que admite poder ter uma resposta do LNEC ainda durante o dia de hoje.

A depressão Kristin, em 28 de janeiro, e as tempestades que se lhe seguiram, deixaram 28 pessoas deslocadas e desalojadas no concelho de Rio Maior, das quais 16 pessoas continuam nessas situações.

“Cinco pessoas são desalojadas, que foram instaladas pela autarquia em unidades hoteleiras, e 11 pessoas estão deslocadas em casa de familiares ou amigos”, disse o presidente, acrescentando que “o principal foco é encontrar solução para estas pessoas”.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

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