Só quatro em cada 10 professores se sentem preparados para ensinar alunos com necessidades específicas

Apenas quatro em cada dez professores em Portugal se sentem preparados para dar aulas a alunos com Necessidades Educativas Específicas (NEE), alertou a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), citando vários estudos.

© D.R.

“Os professores sentem que não têm as ferramentas necessárias para poder lidar com esses alunos [com NEE], tendo em conta que também têm de ter estratégias diferenciadas para os outros 20 e tal alunos que também têm dentro da sala”, disse à Lusa a bastonária da OPP, Sofia Ramalho.

Segundo um documento publicado esta semana pela OPP, que cita vários estudos, nomeadamente do Conselho Nacional de Educação (CNE) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) entre 2018 e 2023, só 39% dos professores referem sentir-se preparados para um modelo inclusivo, que integre crianças com NEE, e 42% indicam necessitar de formação nas áreas da equidade e diversidade.

As NEE são necessidades particulares de crianças e jovens que, ao longo do seu percurso escolar, precisam de respostas educativas diferenciadas – recursos, apoios e medidas específicas – para ultrapassar barreiras à aprendizagem e à participação, promovendo assim o seu desenvolvimento académico, pessoal e socioemocional.

O documento da OPP, publicado quando o Governo se prepara para rever o regime jurídico da educação inclusiva, refere também que 54% dos professores dizem precisar de formação para o ensino em turmas multiculturais.

Segundo a mesma fonte, mais de metade (57%) dos alunos com NEE graves passa mais de 40% do tempo afastado da turma.

A bastonária defendeu que a solução para os alunos com NEE não passa por retirá-los da sala de aula.

Sofia Ramalho disse que no ensino são precisos professores com mais formação na área das NEE, mas também mais psicólogos para ajudar na definição de “estratégias mais específicas e mais eficazes dentro da sala de aula”.

A bastonária indicou que, a nível nacional, a dificuldade de dar uma resposta adequada aos alunos com NEE é mais gravosa no interior do país, nomeadamente no Alentejo, sobretudo em contextos socioeconómicos mais desfavorecidos.

Para um modelo de educação inclusivo, a OPP recomenda o reforço da autonomia dos municípios e escolas para desenhar respostas ajustadas à diversidade local, bem como atingir o rácio de, pelo menos, um psicólogo para 500 alunos.

A ordem aponta como benefício da adoção de um modelo de educação inclusivo a redução os custos com Saúde Pública e assistência social, uma vez que as crianças com NEE com maiores níveis de escolaridade tendem a ter melhores condições de vida e de Saúde.

O aumento das taxas de conclusão do Ensino Superior por alunos com NEE também faz parte da lista de benefícios.

A Ordem dos Psicólogos publicou ainda na segunda-feira outro documento no ?site? da OPP com informações para reconhecer e ajudar crianças com NEE, em casa e na escola.

O documento “Vamos falar sobre Necessidades Educativas Específicas” explica o que são necessidades educativas específicas (NEE), o que é uma escola inclusiva e como reconhecer e ajudar crianças com NEE ou Neurodivergência, nomeadamente crianças com autismo, sobredotadas, hiperativas ou disléxicas.

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