Mau tempo: Estrutura de Missão estima entre 35 e 40 mil empresas afetadas

A Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País estima entre 35 mil e 40 mil as empresas com danos devido ao mau tempo na zona mais afetada, afirmou à agência Lusa o seu coordenador, Paulo Fernandes.

© HUGO DELGADO/LUSA

“Acreditamos que podemos estar aqui a falar de um universo entre as 35 mil, 40 mil empresas afetadas” do universo de empresas da zona mais afetada, que anda na casa das 54 mil, 55 mil, declarou Paulo Fernandes.

Para o coordenador da Estrutura de Missão, criada na sequência da depressão Kristin, que, em 28 de janeiro, deixou um rasto de destruição, “é, de facto um número enorme”.

Daquele número, “há pelo menos já cerca de 30 mil” que acionaram medidas (seguros 25 mil e linhas de crédito quatro mil), referiu Paulo Fernandes, para salientar não se tratar apenas de empresas da área industrial ou dos serviços, mas também agrícolas, sendo que no setor primário os dados apontam para cinco mil.

O coordenador esclareceu que 1.100 milhões de euros (ME) é, por agora, o valor que está candidatado por empresas, mais de mil milhões à linha de crédito à tesouraria (na ordem das quatro mil empresas) e cerca de 80 milhões à linha de crédito ao investimento.

Questionado para a eventualidade de haver empresas que não consigam sobreviver ao impacto do mau tempo, dado que as linhas de crédito representam endividamento, o coordenador referiu o IFIC – Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade, criado com verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) não executadas, anunciado pelo ministro da Economia.

“O IFIC, que sai da reprogramação do PRR, neste momento já com uma linha de 150 ME que tem a vertente de fundo perdido, que pode alavancar cerca de 400 ME, com taxas de referência de 30% de fundo perdido a 50% de fundo perdido, vai sair na próxima semana”, explicou.

Para Paulo Fernandes, esta é uma “medida muito relevante” combinada com as linhas de crédito, sendo que numa delas há “a transformação de 10% em subvenção não reembolsável”.

“Com esta medida [IFIC], obviamente começamos a ter, de facto, respostas bastante mais completas”, argumentou.

Sobre um eventual aumento do desemprego, o coordenador respondeu que há “mais de 300 pedidos de lay-off” (suspensão dos contratos de trabalho) relativos a pouco mais de três mil trabalhadores, para lembrar ainda a existência do incentivo à manutenção de postos de trabalho e da isenção de contribuições à Segurança Social (10 mil pedidos).

O coordenador da Estrutura de Missão admitiu que a procura por este conjunto de medidas “possa impedir uma depressão económica sistémica na região”.

“Neste preciso momento, é muito cedo para podermos já definir que estamos fora do que possa ser danos sistémicos para a região (…). É preciso perceber como é que as grandes empresas onde muitas vezes as [empresas] satélites gravitam, se elas de facto se aguentam, porque são muito relevantes aqui na nossa região, e depois também é preciso ir para a capilaridade do pequeno comércio, dos pequenos serviços, para ver como é que eles conseguem aguentar este embate de alguma redução de faturação que, obviamente, estão a ter”, adiantou.

À pergunta se antecipa aumento da litigância com seguradoras, o coordenador disse que a Estrutura de Missão está mais preocupada que “os seguros façam o seu trabalho o mais depressa possível perante uma dimensão inédita” no país de terem sido acionadas 140 mil apólices.

“Essa é a questão que nos preocupa, porque cerca de 10% dessas 140 mil apólices foram as que tiveram até agora seguimento, estão já, de certa forma, fechadas, algumas até já pagas àquilo que eram os beneficiários”, esclareceu.

Mantendo uma estimativa de prejuízos entre os cinco mil e os seis mil ME, Paulo Fernandes ressalvou que “vai ser muito relevante a próxima semana”, a partir de terça-feira, quando irá ser possível “ter acesso à esmagadora maioria dos relatórios de prejuízos dos municípios”.

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