Universidades não fecham a porta à IA, mas repensam métodos de avaliação

O uso generalizado da inteligência artificial (IA) está a obrigar muitas universidades a compensar como avaliar os alunos, mas sem fechar a porta a uma tecnologia que já faz parte integrante de várias áreas profissionais.

© D.R.

Escrever um ensaio ou responder às perguntas de um exame feito em formato digital são exercícios que, na era da IA, passaram a estar à distância de um clique, através de grandes modelos de linguagem (LLM, na sigla em inglês) como o Chat GPT ou o Copilot, de acesso aberto.

Esta nova realidade está a levar as instituições de ensino superior a compensar a avaliação dos estudantes, num esforço de contornar uma ferramenta que, sendo já muito presente também no mercado de trabalho, não pode ignorar.

“No início dos LLM até permitia que os alunos utilizassem no exame final, mas nessa altura os modelos ainda tinham muitos erros. Quando percebi que podem resolver vários exercícios que incluem o pensamento crítico dos alunos, proibi”, contou à Lusa um professor da NOVA School of Business and Economics (NOVA SBE).

Naquela escola da Universidade Nova de Lisboa, os docentes estão conscientes de que, com o acesso generalizado à IA, os alunos podem chegar ao fim do percurso académico sem cumprir os objetivos de aprendizagem, mas reconhecem que essa é uma ferramenta que também estará presente na vida profissional.

“Preocupamo-nos em manter o rigor académico e garantir a aprendizagem, mas também em capacitar os nossos alunos para um mundo novo. Podemos tentar parar a IA, mas os nossos alunos vão para empresas onde se utilizam cada vez mais”, explicou Leid Zejnilovic.

À semelhança da maioria das instituições de ensino superior, também na NOVA SBE os professores têm autonomia para definir o método de avaliação e, apesar de não existirem orientações institucionais, essa é uma preocupação que têm presentes.

Perante a evolução do LLM Leid Zejnilovic não acabou com os trabalhos escritos, mais suscetíveis à utilização de IA, mas apresenta formas de tornar as aulas mais desafiadoras para que os alunos “se foquem mais na jornada”.

“Estamos a tentar impor aos alunos um senso de responsabilidade. Digo-lhes que na vida podemos ter apagões onde não há IA e nessas alturas também vão precisar de resolver as coisas”, referiu.

A nossa faculdade da NOVA, de Ciências Sociais e Humanas, está a ser elaborada um novo enquadramento para o uso da inteligência artificial, em articulação com o Conselho Pedagógico.

“A posição de princípio da Direção passa pela necessidade de atender a diferentes elementos em tensão: a integridade académica e autoral, o reconhecimento de que esta tecnologia tem um impacto já altamente transformador e que não pode ser ignorado, e a equidade no acesso a plataformas e ferramentas”, refere a instituição em resposta à Lusa.

No ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, a adaptação à nova era já tem efeitos na avaliação dos alunos e os trabalhos tradicionais estão a ser, gradualmente, substituídos por apresentações orais ou debates.

Segundo o vice-reitor da Investigação e Modernização Tecnológica, Jorge Costa, estão também a ser revistos regulamentos, que actualmente preveem apenas a “fraude académica” para punir o uso abusivo de IA, conceito que o responsável diz nem sempre será o mais adequado.

E como impedir o uso abusivo? No caso do ISCTE, estão a ser estudados as ferramentas atualmente disponíveis no mercado para disponibilizar, a nível institucional, um sistema para esse efeito.

Já Leid Zejnilovic se apressou em descartar qualquer tipo de ‘software’.

“Não utilizamos porque não funcionamos”, disse, partilhando o entendimento da Direção da FCSH, que as opções disponíveis “apresentam taxas elevadas de falsos positivos e falsos negativos”.

Na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL), por outro lado, a avaliação dos alunos, por tradição, assenta sobretudo em exames escritos presenciais e provas orais.

Ainda assim, Paulo de Sousa Martins, coordenador científico de uma pós-graduação e de um mestrado sobre Direito e IA, reconhece que nos trabalhos realizados fora da sala de aula “é natural que os estudantes recorram a ferramentas capazes de melhorar a qualidade do seu trabalho”.

“A IA pode apoiar o trabalho académico, mas não pode substituir o pensamento crítico nem a responsabilidade intelectual do estudante”, sublinha, ressalvando que “o uso responsável e transparente da Inteligência Artificial já faz parte da prática profissional”.

Por isso, e apesar dos desafios, as universidades não fecham a porta à IA e algumas estão até a estudar como podem ser utilizadas para apoiar o ensino.

No ISCTE, os docentes recebem formação sobre como podem incorporar a IA no seu trabalho, enquanto a NOVA SBE lança um novo centro dedicado à inovação pedagógica e excelência no ensino.

Últimas do País

Um guarda prisional, de cerca de 40 anos, foi agredido por um visitante no interior do Estabelecimento Prisional de Lisboa, depois de lhe ter ordenado que abandonasse as instalações. O suspeito encontrava-se acompanhado por uma criança e terá desobedecido às indicações do funcionário.
Um jovem de 15 anos, com necessidades educativas especiais, continua sem aulas devido à falta de uma resposta escolar adequada. Depois de várias tentativas para resolver a situação, a mãe decidiu apresentar queixa, levando às autoridades policiais um problema que coloca em causa o acesso do filho à educação.
Uma mulher de 30 anos foi encontrada morta, com ferimentos provocados por arma de fogo, no interior de uma viatura estacionada na berma da Estrada Nacional 360, nas Caldas da Rainha. Ao seu lado estava um homem de 25 anos, apontado como seu namorado, que foi encontrado inconsciente.
O Parlamento pediu os contratos contestados pela entidade reguladora da profissão, mas recebeu uma minuta já alterada. A SÁBADO revela que existiam três contratos assinados com as cláusulas consideradas ilegais.
Ricardo Carrilho acusa Luís Neves de o ter afastado para proteger interesses instalados na SIRESP. Em declarações à Renascença, denuncia contratações suspeitas, negócios com escritórios de advogados e contratos com operadores privados que não cumpririam as suas obrigações.
A proteção de vítimas de violência levanta uma nova controvérsia: o acesso à licença parental remunerada a 100% poderá depender da saída da residência. A condição, noticiada pelo Jornal de Notícias, coloca em discussão a relação entre os apoios sociais e a segurança de quem enfrenta situações de violência.
As autoridades já apreenderam mais de 42 toneladas de cocaína desde o início do ano, um volume que evidencia a dimensão das operações de combate ao tráfico de droga. Os números colocam novamente em destaque a atividade das redes internacionais de narcotráfico e a importância da fiscalização das rotas de circulação de estupefacientes.
André Ventura acusa Luís Neves de “prepotência e incapacidade de lidar com a verdade” e coloca a responsabilidade pela resolução do caso nas mãos de Luís Montenegro. O presidente do CHEGA alerta que, enquanto o primeiro-ministro não intervier, “a infeção deste Governo será cada vez maior”.
Três trabalhadores morreram hoje num acidente laboral num reservatório de água de uma habitação na Quinta do Lago, no concelho de Loulé, distrito de Faro, disseram à Lusa fontes da GNR e da Proteção Civil.
Cerca de 150 dirigentes associativos do setor agroflorestal concentraram-se esta segunda-feira junto à Assembleia da República, em Lisboa, para exigir ao Governo 140 milhões de euros em apoios que permitam enfrentar o aumento dos custos de produção e recuperar a competitividade face a Espanha. A resposta do ministro da Agricultura aponta para 2027, ano em que estarão disponíveis mais de 162 milhões de euros para apoiar o setor.