Baixo Mondego alerta para fim da agricultura na região caso canal de rega não seja reparado

As cooperativas agrícolas do vale do Baixo Mondego alertaram hoje a Comissão Parlamentar de Agricultura e Pescas para a necessidade de a reparação do canal de rega do Mondego estar concluída até ao início de maio.

© D.R.

O canal de rega do Mondego ruiu com as cheias do início de fevereiro.

Numa reunião realizada hoje em Montemor-o-Velho, no distrito de Coimbra, o presidente da Cooperativa Agrícola local advertiu que se a próxima campanha agrícola não se realizar “será o fim” da agricultura no Baixo Mondego.

“Não temos pulmão [financeiro] para aguentar um ano sem colheita”, frisou Carlos Plácido, salientando que os produtores já se confrontam com o abaixamento dos preços em 50% “em três anos”, apesar de o cabaz alimentar continuar a subir.

Salientando que o Baixo Mondego produz o melhor arroz do país, o dirigente lamentou que, nos últimos 26 anos, as cheias tenham provocado três rombos nos canais do Mondego, inundando os campos agrícolas.

“Ainda bem que temos duas culturas perfeitamente adaptadas a este vale: o arroz e o milho. Porque, se tivéssemos olivais, fruticultura ou estufas, os prejuízos causados pelas cheias eram muito superiores”, disse Carlos Plácido.

O presidente da Cooperativa Agrícola de Coimbra alertou os deputados da Comissão Parlamentar de Agricultura e Pescas que é imperioso a reparação do canal de rega do Mondego estar concluída no dia 01 de maio.

Pedro Pimenta referiu que estão em causa 12 mil hectares de terrenos – seis mil de cultura de arroz e outros tantos de milho – que envolvem 2.400 famílias.

Caso falhe a sementeira, está em causa uma perda de 70 mil toneladas de milho e 30 mil toneladas de arroz, que geram um volume de negócios na ordem dos 50 milhões de euros.

“Vamos investir 25 milhões na sementeira dos campos e precisamos do retorno financeiro e da água para que os cereais se desenvolvam”, sublinhou Pedro Pimenta, que alertou ainda para a necessidade de repensar a obra hidroagrícola do Baixo Mondego e os acessos aos campos.

Além da questão da reparação do canal de rega, considerada a prioridade das prioridades, os presidentes da Câmara de Montemor-o-Velho e Soure defenderam a mudança do modelo de gestão do Baixo Mondego, à semelhança do que aconteceu na Ria de Aveiro ou no Alqueva, no Alentejo.

Em declarações aos jornalistas, o presidente da Comissão Parlamentar de Agricultura e Pescas considerou fundamental que os agricultores tenham condições para fazerem as suas culturas a partir de maio com água no canal, ainda que de forma provisória.

“Temos a promessa da Agência Portuguesa do Ambiente de que tudo vai fazer para que a água esteja no canal por forma que os utilizadores possam dela usufruir”, disse Maurício Marques.

O deputado realçou que a comissão é muito sensível aos problemas da agricultura e prometeu mais fiscalização e acompanhamento às obras futuras no Baixo Mondego por parte de alguns parlamentares.

Na sexta-feira, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, disse que o canal de rega do Mondego deverá estar pronto a 01 de maio, caso não se verifiquem imponderáveis.

Últimas do País

A Covilhã foi o município com maior área ardida entre 2020 e 2025 e, no mesmo período, os dez municípios com maior área ardida estão localizados nas regiões Norte e Centro, divulgou esta quinta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).
A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou hoje ter recebido uma denúncia contra o diretor da Polícia Judiciária (PJ) no âmbito de escutas realizadas no processo Football Leaks.
Quatro suspeitos, entre os 28 e os 43 anos, foram detidos nas Caldas da Rainha após nove meses de investigação. PSP apreendeu uma arma de fogo, centenas de doses de haxixe e cocaína e mais de 26 mil euros em dinheiro.
Partido liderado por André Ventura apresentou projetos de lei que pretendem dar prioridade às crianças portuguesas no acesso às creches e estabelecer, nas matrículas escolares, prioridade para crianças de nacionalidade portuguesa ou filhas de portugueses, seguindo-se os filhos de cidadãos da União Europeia.
Autoridades registaram uma sucessão de detenções em flagrante por diferentes ilícitos, incluindo posse de arma proibida e condução sem habilitação legal.
Quase 1100 pessoas aguardavam pela primeira observação médica e mais de 2800 estavam em tratamento. Amadora-Sintra registava esperas superiores a seis horas para doentes urgentes, enquanto o Algarve enfrenta uma escalada na procura dos serviços de saúde. Greve dos técnicos do INEM mantém-se para setembro.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou hoje 11 distritos sob aviso amarelo devido à chuva, que será localmente forte, queda de granizo, trovoada e vento forte.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) detetou na terça-feira 67 infrações relacionadas com a atividade dos táxis numa operação de fiscalização rodoviária realizada nas chegadas do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, foi anunciado esta quarta-feira.
Polícia não hesitou perante uma emergência na Ponte Móvel de Leça: retirou o fardamento, lançou-se à água e conseguiu resgatar um jovem de 26 anos, mantendo-o em segurança até à chegada da Polícia Marítima. PSP destaca a “coragem e abnegação” do agente.
Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras emitiu 831 notificações para abandono do território nacional. Mais de 1900 estrangeiros regressaram aos países de origem e foram instaurados 720 processos de afastamento coercivo.