Funicular da Graça, em Lisboa, reabre em abril após conclusão de vistoria

O funicular da Graça, em Lisboa, que está parado desde o acidente com o elevador da Glória, vai reabrir "em abril", após a vistoria técnica ter confirmado as boas condições estruturais e operacionais do equipamento, revelou hoje a Carris.

© Câmara Municipal de Lisboa

Quanto ao retomar do funcionamento dos ascensores da Bica e do Lavra, a comissão técnica independente para avaliação da reabertura dos elevadores e ascensores da cidade de Lisboa “prossegue com o estudo, testes e avaliação” dos equipamentos, “com vista à sua oportuna reabertura”, informou a empresa municipal Carris, num comunicado enviado à agência Lusa.

Na sequência do descarrilamento do elevador da Glória, que ocorreu no dia 03 de setembro e provocou 16 mortes e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades, a Câmara Municipal de Lisboa suspendeu “de imediato” o funcionamento dos ascensores da Bica e do Lavra e do funicular da Graça para os equipamentos serem inspecionados.

Passado seis meses do acidente, a comissão técnica independente concluiu o parecer técnico referente ao funicular da Graça e “o relatório confirma as boas condições estruturais e operacionais do equipamento”, indicou a Carris.

O funicular da Graça foi inaugurado há cerca de dois anos, concretamente no dia 12 de março de 2024, 15 anos depois de ter começado a ser construído, levando a derrapar o orçamento inicial para sete milhões de euros. Assegurando o percurso entre a Mouraria e a Graça, o funicular dispõe de uma via única, constituída por carris e com apenas dois pontos de paragem no início de cada trajeto, tendo capacidade para transportar o máximo de 14 pessoas por viagem, que dura cerca de minuto e meio.

Estava inicialmente previsto ser gerido pela Carris, mas na inauguração foi anunciado que a gestão ficaria a cargo da EMEL – Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa. No entanto, em janeiro de 2025, a Câmara de Lisboa aprovou a transferência da gestão do funicular da Graça da EMEL para a Carris, ambas empresas municipais.

“Apesar de ainda estar a decorrer o processo administrativo de transferência da gestão do equipamento”, a Carris informou que está já está a executar “três ações” identificadas como necessárias no relatório da comissão técnica independente para que a reabertura do funicular da Graça se concretize com brevidade, nomeadamente ensaios complementares a equipamentos, atualização das medidas de autoproteção e revisão da formação dos operadores.

“Na sequência de um trabalho detalhado e independente que visou aferir se o funicular da Graça reunia as condições para voltar a funcionar com normalidade, estamos satisfeitos por constatar que o relatório é inequívoco e conclui que o funicular foi concebido, construído e poderá ser operado em linha com os melhores padrões de segurança”, afirmou o presidente do conselho de administração da Carris, Rui Lopo, nomeado há três meses após a demissão de Pedro de Brito Bogas.

Citado em comunicado, Rui Lopo disse que a Carris já informou a Câmara de Lisboa de que está a realizar as ações identificadas no relatório para que a operação do funicular seja retomada e, “havendo autorização final para esse efeito, que compete ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), estarão reunidas as condições para que em abril o funicular da Graça volte a funcionar em pleno”.

A comissão técnica independente, criada por deliberação da Câmara de Lisboa após o acidente com o elevador da Glória, é composta por especialistas indicados pela Ordem dos Engenheiros (OE), pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e pelo Instituto Superior Técnico (IST), contando ainda com representantes da Carris e da EMEL.

A este propósito, a Câmara de Lisboa definiu como “prioridade absoluta” garantir que todos os elevadores e ascensores históricos da cidade “apenas retomariam a operação com padrões reforçados de segurança, totalmente alinhados com as melhores práticas nacionais e europeias”.

Segundo a Carris, as diligências tomadas pela comissão técnica independente incluíram o estudo de toda a documentação técnica do projeto e da empreitada do funicular da Graça, inspeções presenciais e ensaios específicos, reuniões com entidades especializadas, comparação com práticas de outros sistemas equivalentes, incluindo uma reunião técnica com responsáveis pelos funiculares da Catalunha, assim como a avaliação da conformidade com o Regulamento da União Europeia e restante enquadramento técnico legal aplicável.

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