Recentemente, um colapso na Autoestrada A1 mereceu atenção nacional imediata. Equipas de intervenção da concessionária Brisa agiram rapidamente, garantindo a resolução do problema com prioridade máxima. O tráfego foi restabelecido em tempo recorde, evidenciando a capacidade de resposta quando se trata de uma das principais artérias do país. As imagens nos telejornais, os comunicados oficiais, a mobilização de recursos — tudo aconteceu em tempo recorde. Nada foi deixado ao acaso.
Entretanto, o mesmo nível de urgência não se verifica no caso da Autoestrada A14, no troço entre Montemor-o-Velho e Figueira da Foz, que encerrou recentemente devido às cheias e ainda não tem previsão de reabertura. Esta situação afeta milhares de cidadãos que dependem diariamente da via, bem como as atividades económicas locais. Os moradores sentem-se isolados. As empresas enfrentam atrasos, custos acrescidos e dificuldades logísticas. O silêncio das autoridades é constrangedor.
A alternativa indicada, pela Estrada Nacional 111, apresenta riscos acrescidos. Trata-se de uma via antiga, sujeita a influência da água na sua estrutura, condição que motivou o encerramento da A14. O elevado volume de trânsito, incluindo veículos pesados que por vezes ignoram as indicações de desvio, aumenta o risco de acidentes, contribui para o desgaste acelerado da estrada e expõe a população a perigos evitáveis. É uma estrada que não foi projetada para este tráfego. E, no entanto, é a única opção.
Isto lembra o que aconteceu recentemente com as obras da Ponte Edgar Cardoso. Apesar de ser uma infraestrutura vital para a cidade, os trabalhos prolongaram-se e causaram enormes constrangimentos para a circulação e para as empresas locais. Na altura, a sensação era clara: Lisboa decide, o interior sofre. O Baixo Mondego, de novo, foi colocado em segundo plano. Somos frequentemente esquecidos e desprezados, como se a vida quotidiana das populações e o funcionamento da economia local tivessem menor importância.
Não se questiona a necessidade de medidas de segurança, que devem sempre prevalecer. Mas é fundamental que se aplique o mesmo critério de intervenção e rapidez que se verifica em outros casos. Equidade, justiça e responsabilidade devem guiar a ação das autoridades. A população do Baixo Mondego não pede privilégios, pede apenas reconhecimento, ação rápida e respeito.
A situação atual evidencia uma diferença de prioridades que não pode ser ignorada. Um país equilibrado não se constrói apenas nos grandes eixos Lisboa-Porto; deve igualmente proteger e investir nas regiões que garantem a vida económica e social do interior. O Baixo Mondego precisa de respostas. Precisa de segurança. Precisa de soluções.
Garantir uma intervenção célere e eficaz na A14 não é apenas uma questão técnica, é uma questão de justiça, segurança e confiança nas instituições que gerem as nossas infraestruturas. O que está em jogo não é apenas uma estrada, é a dignidade de uma região que, repetidamente, se vê esquecida pelo poder central.