Greve na cadeia de Vale de Judeus com 90% de adesão no primeiro dia

O primeiro dia da grave dos guardas prisionais na cadeia de Vale de Judeus, Alcoentre, teve esta terça-feira uma adesão de 90%, segundo o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP).

© D.R.

A greve decretada pelo SNCGP e que se prolonga até 30 de abril, apenas com serviços mínimos, deve-se, segundo o sindicato, à falta de segurança da cadeia de Vale de Judeus, em Alcoentre, distrito de Lisboa, de onde fugiram cinco reclusos em 2024, entretanto recapturados.

O sindicato diz que a segurança naquele estabelecimento prisional, tanto para os guardas prisionais como para os reclusos, não foi reforçada depois da fuga, apesar das promessas da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) e de estarem a ser executados alguns trabalhos.

A greve será total e, segundo explicou o sindicato à Lusa, os presos que não têm atividades, nem trabalham, terão o horário de pátio reduzido e vão ficar nas respetivas celas 22 horas por dia.

A redução dos horários de pátio é uma das reivindicações desta greve, à semelhança daquilo que aconteceu na cadeia do Linhó, Sintra, onde os reclusos sem atividades viram os seus horários reduzidos.

O número de visitas também será reduzido para todos os presos, que “passam a ter só uma visita por semana”, acrescentou o sindicato, sublinhando que a greve terá impacto nas idas a consultas e a tribunal.

Este sindicato admitiu desconvocar o protesto no final de fevereiro por considerar, depois de uma reunião com a Direção-Geral, que estava a ser reforçada a segurança na prisão de Vale de Judeus.

No entanto, explicou, na altura à Lusa o presidente do SNCGP, Frederico Morais, as promessas de reforço de segurança não foram ainda colocadas em prática.

Na última reunião, a DGRSP mostrou-se disponível para colocar redes nos pátios e para limpar alguns espaços, mas estas promessas, segundo Frederico Morais, ainda não foram cumpridas.

“Não podemos compactuar com mais falta de segurança”, acrescentou o presidente do sindicato, que referiu que os inibidores de sinal ainda não estão a funcionar.

Para reforçar a segurança da prisão de Vale de Judeus, o Ministério da Justiça anunciou a instalação de inibidores de sinal, que bloqueiam os sinais de telemóveis e de drones, mas o sistema ainda não está em funcionamento.

A construção de duas torres de vigilância foi outro dos reforços, tendo DGRSP lançado dois concursos que não atraíram candidatos e, segundo as últimas informações prestadas à Lusa, será lançado um terceiro concurso.

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