Criança de dois anos morre e Estado não paga funeral: “Não contribuiu”

Miguel morreu de cancro em apenas 10 dias. Pais ficaram sem apoio do Estado para o funeral porque o filho “não tinha carreira contributiva”.

©D.R.

Miguel tinha apenas dois anos quando morreu vítima de um cancro cerebral agressivo. Entre o diagnóstico e a morte passaram apenas dez dias.

Após a perda, avançou o Correio da Manhã, os pais foram confrontados com uma realidade que muitos desconhecem: não tiveram direito a qualquer comparticipação nas despesas do funeral. O motivo invocado foi a inexistência de carreira contributiva da criança.

A decisão ignora, contudo, um fator essencial: os pais são contribuintes. Ainda assim, todas as vias de apoio lhes foram recusadas.

Perante a situação, a família decidiu transformar a dor em ação. Com o apoio de amigos, lançou uma petição com o objetivo de alterar a legislação em vigor, que já reuniu mais de 15 mil assinaturas e deu entrada na Assembleia da República, segundo o mesmo jornal.

“Há pais que se endividam para enterrar os filhos. Que justiça é esta?”, questiona Daniela, amiga da família, denunciando um sistema que exclui menores e pessoas sem historial contributivo de qualquer apoio.

O caso, sublinha o Correio da Manhã, não é isolado. A legislação, antiga e nunca revista, continua a deixar desprotegidas situações de elevada fragilidade, precisamente nos momentos de maior vulnerabilidade das famílias.

Catarina, mãe de Miguel, não pretende qualquer reembolso. O objetivo é claro: garantir uma alteração da lei que impeça que outras famílias tenham de enfrentar, além da perda, a sensação de abandono por parte do Estado.

Últimas do País

O dono de um bar em Vila do Conde foi hoje condenado a uma pena suspensa de três anos e nove meses pelos crimes de lenocínio, auxilio à imigração ilegal e branqueamento de capitais.
A PSP deteve no último mês, na zona de Lisboa, quatro cidadãos brasileiros procurados pelas autoridades do Brasil por crimes de homicídio, tentativa de homicídio e roubo, que aguardam os processo de extradição, foi hoje divulgado.
Os episódios de calor extremo registados na última década agravaram a mortalidade em Portugal, em comparação com a década de 1990, sobretudo nas regiões do interior do país, com Trás-os-Montes a registar o maior aumento.
Os professores portugueses são os que têm mais conhecimentos pedagógicos, segundo um estudo da OCDE, o que lhes permite lidar melhor com os desafios da sala de aula e fazer com que os alunos aprendam melhor.
O líder do CHEGA, André Ventura, considerou hoje que o Governo está a pôr sobre o partido o ónus de um acordo sobre a reforma laboral no parlamento, apesar de não ter dado "nenhum passo" de aproximação.
Peso da imigração explica subida da natalidade em Portugal, com Lisboa a aproximar-se dos 50%.
Quase 330 doentes morreram, entre 2021 e 2025, à espera de cirurgia cardíaca disse hoje a secretária de Estado da Saúde Ana Povo, adiantando que a tutela vai publicar um despacho para a revisão das redes de referenciação.
O número de episódios de urgência nos hospitais baixou no inverno 2025/2026, mas aumentou o peso dos casos realmente urgentes (pulseira amarela) e o tempo médio de permanência na urgência voltou a subir após descer em 2024/2025.
Ataque em Oliveira do Bairro deixa duas pessoas em estado grave após vários disparos junto ao local de trabalho da vítima.
Um incêndio destruiu hoje duas casas de aprestos no porto da Ribeira Quente, no concelho açoriano da Povoação, e um homem teve de ser transportado para uma unidade de saúde, devido à inalação de fumos, revelou fonte dos bombeiros.