Gestor investigado por contratos de seis milhões lidera hospital de Lisboa

Miguel Paiva chega à Unidade Local de Saúde de São José sob investigação do Ministério Público por suspeitas em contratos públicos. Governo avança com nomeação apesar das dúvidas.

© Facebook/Hospital-de-São-José

O novo presidente da Unidade Local de Saúde (ULS) de São José, em Lisboa, está sob investigação do Ministério Público, num processo relacionado com a adjudicação de contratos públicos durante o período em que liderou o Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga.

Em causa, segundo avança o Correio da Manhã, estão contratos no valor de cerca de 6,1 milhões de euros, envolvendo a aquisição de bens, serviços e a realização de obras. O inquérito, aberto há três anos, visa apurar eventuais irregularidades em ajustes diretos e concursos públicos, incluindo possíveis ligações a empresas e a um advogado que prestou serviços à instituição.

Apesar da investigação, Miguel Paiva assegura que nunca foi constituído arguido e garante estar a colaborar com a justiça, afirmando que nunca se sentiu suspeito.

Ainda assim, o processo levanta dúvidas sobre o funcionamento interno do hospital, em particular na área das compras. Em 2019, uma antiga responsável clínica já tinha denunciado um sistema “montado para a ineficiência”, que, segundo a própria, conduzia ao recurso sistemático a ajustes diretos.

A Polícia Judiciária já ouviu várias testemunhas e procura agora apurar quem era responsável pela escolha das empresas nos procedimentos, de forma a determinar a eventual existência de favorecimento.

A nomeação de Miguel Paiva para a presidência da ULS de São José foi aprovada pelo Governo em fevereiro, numa altura em que o setor da saúde enfrenta também atrasos e derrapagens financeiras em projetos estruturantes, como o Hospital de Todos os Santos.

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