A mobilidade aérea (quem a traiu e quem a defende)

Para os portugueses que vivem das regiões autónomas, a mobilidade aérea, isto é, a capacidade de viajar, por avião, para fora dos seus arquipélagos de residência não é um luxo, nem, tão pouco, um capricho, mas uma necessidade fundamental e incontornável, que resulta, directamente, das condições de periferia, insularidade e, por vezes, dupla-insularidade em que muitos deles se encontram. Por outras palavras, não se trata de um cisma ou de uma obstinação acessória, mas de uma necessidade fundamental e com impactos directos e evidentes na sua qualidade de vida, nos canais de desenvolvimento social e económico das suas regiões e no seu acesso livre a serviços de Educação, Saúde, Justiça e até de Proteção Social.

Cientes disso, os arquitectos da nossa estrutura constitucional reconheceram o direito à mobilidade como essencial no seio de uma nação histórica e incontornavelmente atlântica, consagrando-o nos princípios da continuidade e da coesão territorial, os quais reuniram, desde as primeiras sessões constituintes, amplo e sólido consenso político e partidário, o qual elevou-o ao estatuto de acordo de regime. Todavia, o legado constitucional e conceptual que fundamenta o acesso à mobilidade dos portugueses das regiões autónomas foi, injustificadamente, ignorado e violando pelo novo modelo de mobilidade criado e imposto pelo actual governo da República, paradoxalmente apoiado numa coligação minoritária parlamentar que inclui um partido, designadamente o PSD, que, errada e desonestamente, se apresenta aos eleitorados da Madeira e dos Açores como pretenso defensor das autonomias.

Determinado a bloquear e a corrigir a trapalhada governativa e a injustiça social criada pelo PSD de Luís Montenegro, com a conivência silenciosa e covarde do CDS de Nuno Melo, o CHEGA assumiu, desde o início, a liderança da oposição à nova plataforma – e fê-lo utilizando todos os canais parlamentares ao seu dispor, nomeadamente avançando com um pedido de apreciação parlamentar que forçou a discussão, da Assembleia da República, de uma medida preparada em sede de conselho de ministros e à revelia do parlamento nacional, bem como submetendo uma proposta abrangente de alteração aos diplomas em causa e chamando ao parlamento, para audições no âmbito das comissões, os ministros das Finanças e das Infraestruturas, áreas nevrálgicas do novo modelo de mobilidade.

Fruto das discussões públicas geradas e das análises parlamentares realizadas, a nefasta e inaceitável medida assinada por PSD e CDS está, agora, na Comissão da Mobilidade, onde, por via de entendimentos partidários firmados e materializados entre aqueles que realmente defendem as autonomias, será amplamente modificado e profundamente reconvertido num mecanismo que, em vez de dar corpo aos tiques centralistas e laivos autoritários do executivo de Luís Montenegro, defende a mobilidade e o direito ao seu acesso como valor fundamental do nosso estado democrático.

Estas conquistas, que estão em vias de se materializar, apenas foram possíveis porque, numa primeira fase, o CHEGA não hesitou em denunciar e atacar uma medida errada e injusta, e, numa segunda fase, assimiu a humildade e a maturidade democrática para promover consensos que garantam o respeito pelos, e a defesa dos direitos cívicos, constitucionais e de cidadania dos povos da Madeira e dos Açores, que sempre viu, e vê, como portugueses de primeira – e não como filhos de um Estado menor. Ao agir da forma que agiu, com celeridade, determinação e sentido estratégico, o CHEGA mostrou que a Autonomia não é um legado que se exibe nos currículos partidários ou que se tem como dado garantido, mas um valor pelo qual se luta diariamente e sem cedências a políticos de duas faces, que afirmam uma coisa no Chão da Lagoa, mas fazem o seu aposto em São Bento.

Artigos do mesmo autor

O CHEGA-Madeira é um partido que, tal como a estrutura nacional da qual deriva, tem gravada na sua matriz ideológica e praxística a luta intransigente contra a corrupção, o amiguismo, o compadrio e a gestão danosa da Causa Pública. Tal princípio não é mero tema de campanha, usado para conquistar a confiança do eleitorado, mas […]

Ao longo desta legislatura, o CHEGA tem emergido como a verdadeira voz dos pescadores portugueses e uma força política que entende a fundo os desafios enfrentados por aquela classe trabalhadora. Isto é o resultado de quatro factores. Primeiro, os deputados do CHEGA possuem um conhecimento directo do sector das pescas, o que nos coloca numa […]

A luta intransigente contra a corrupção e todas as formas de gestão danosa da Causa Pública é um pilar fundamental da acção política do CHEGA, do qual não abdica, nem abdicará, independentemente das circunstâncias ou dos ventos políticos que soprem. Aliás, a defesa da integridade do Estado e a busca pela transparência na governação são […]

Uma das características mais marcantes do partido CHEGA é o facto de que consubstancia no contexto político nacional uma dimensão dupla, que se expressa em duas vertentes complementares e interdependentes. Por um lado, encerra um pensamento sólido, estruturado, consistente e, acima de tudo, reformista, cujo objetivo último é a reconfiguração profunda da política e da […]

O CHEGA foi fundado sobre uma matriz reformista, que assume, sem receios nem tibiezas, os propósitos claros, determinados e inegociáveis de vencer o situacionismo que tem condicionado a política nacional nas últimas cinco décadas e colocar termo ao domínio pérfido de uma elite minoritária e privilegiada, que perpetua o seu poder sobre a vida social, […]