Tribunal de Contas deteta falhas graves em 27 contratos da Câmara de Marvão (PSD)

O relatório identifica falhas na escolha de procedimentos e adjudicações repetidas num universo de 12,6 milhões de euros.

© Site Tribunal de Contas

O Tribunal de Contas (TdC) identificou diversas irregularidades em contratos celebrados pela Câmara Municipal de Marvão (PSD), no distrito de Portalegre, na sequência de uma auditoria à contratação pública realizada entre 2019 e 2023, avança esta terça-feira o 24 Notícias.

A análise incidiu sobre 27 contratos considerados de maior risco, num universo de 190, que totalizam uma despesa global de 12,6 milhões de euros.

Entre as principais conclusões destacam-se falhas na escolha dos procedimentos, insuficiente fundamentação das decisões e a repetição de adjudicações às mesmas entidades. O relatório levanta ainda reservas quanto ao recurso frequente a ajustes diretos e a eventuais ligações entre empresas convidadas.

O TdC assinala igualmente atrasos na publicitação dos contratos no Portal BASE, com cerca de metade a ser divulgada fora do prazo legal, embora se registe uma melhoria a partir de 2021, refere a mesma fonte.

Foram também detetadas falhas no acompanhamento de obras, nomeadamente numa intervenção de requalificação escolar, onde trabalhos adicionais superiores a 240 mil euros não foram comunicados ao tribunal, como legalmente exigido.

O relatório aponta ainda fragilidades estruturais no município, designadamente a carência de recursos humanos especializados e a ausência de instrumentos essenciais de controlo interno, como a atualização das normas existentes e a elaboração de um plano de prevenção de riscos.

Face às conclusões, salienta o 24 Notícias, o Tribunal de Contas emitiu 13 recomendações, defendendo um maior recurso a procedimentos concorrenciais e o reforço da transparência e do rigor no reporte da informação contratual.

Apesar das irregularidades identificadas, o Ministério Público não detetou, para já, indícios de infrações financeiras ou matéria suscetível de investigação adicional.

O município dispõe agora de um prazo de 180 dias para implementar as medidas recomendadas, tendo sido igualmente fixado o pagamento de emolumentos no valor de mais de 17 mil euros.

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