Secretário de Estado do PSD deixa Câmara de Vagos com dívida milionária

A passagem de Silvério Regalado pela Câmara Municipal de Vagos está a gerar crescente contestação no concelho, depois de terem vindo a público os números das contas municipais.

© República Portuguesa

De acordo com o relatório de prestação de contas de 2024 da autarquia, a dívida municipal, consultada pelo Folha Nacional, ascende a cerca de 13,4 milhões de euros, um valor que está a causar preocupação entre munícipes e também dentro das estruturas locais do próprio PSD.

Silvério Regalado interrompeu a presidência da Câmara para assumir funções nacionais, primeiro na Assembleia da República e posteriormente no Governo. No entanto, a herança financeira deixada para trás está agora no centro da polémica.

No terreno, o ambiente é de divisão. Fontes locais falam numa crescente insatisfação entre eleitores e militantes sociais-democratas, num concelho tradicionalmente alinhado à direita, onde o descontentamento com a gestão anterior começa a ganhar expressão política.

A situação está também a colocar pressão sobre o atual executivo municipal, igualmente liderado pelo PSD, que enfrenta dificuldades para lidar com o peso da dívida e encontrar soluções para estabilizar as contas da autarquia.

Há ainda receios quanto à evolução dos números. Apesar de os dados de 2025 ainda não terem sido divulgados, existe a expectativa de que a situação financeira possa agravar-se, aumentando a incerteza em torno da gestão futura.

A polémica ganha maior dimensão pelo facto de Silvério Regalado exercer atualmente funções governativas diretamente ligadas ao poder local e ao ordenamento do território, áreas onde a gestão financeira e o planeamento são determinantes.

Entre a população, a pergunta repete-se: como pode um responsável político gerir políticas nacionais nesta área quando deixa para trás uma autarquia com uma dívida significativa?

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