Fecharam mais duas unidades de cuidados continuados por subfinanciamento

A Associação Nacional dos Cuidados Continuados (ANCC) alertou hoje para o fecho de mais duas unidades na região de Lisboa e lamentou que esta área tenha ficado fora da adenda ao compromisso com o setor social para 2026.

© D.R.

Em declarações à Lusa, o presidente da ANCC, José Bourdain, explicou que em março fecharam, pelo menos, mais duas unidades de cuidados continuados na região de Lisboa: a União Mutualista – Acreditar, com cerca de 25 camas, e a Casa dos Marcos – Raríssimas, uma unidade de cuidados pediátricos para doenças raras.

“Fecharam porque já não aguentaram mais”, lamenta José Bourdain, que volta a falar na discrepância entre o financiamento e os custos de funcionamento destas unidades, sublinhando: “Já estamos em abril, aumentamos as negociações em janeiro, há aumento do custo de vida, do custo de bens e serviços, e não atualizamos os preços”.

Numa nota enviada à Lusa, a ANCC regista a adenda ao compromisso com o setor social assinado na quarta-feira, sublinhando que o primeiro-ministro já tinha prometido uma lei de finanças para o setor “com a atualização automática de preços para o setor social em geral – que abrange os cuidados continuados e a educação”.

“É primeiro-ministro há dois anos e ainda não cumpriu a promessa”, lamentou.

Disse não entender a política do Governo para o setor, que considera promover “a morte lenta das unidades” por subfinanciamento, e gravar o fecho de mais duas no passado mês de março.

“Ficam ambas na sul, na região de Lisboa e Vale do Tejo, precisamente a mais necessitada e que viu o colapso do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a construção de mais 2.000 camas devido a erros do Governo”, refere.

A ANC já tinha anunciado no final do ano passado o encerramento de cerca de 100 camas de cuidados continuados, em janeiro deste ano, por subfinanciamento.

A adenda assinada na quarta-feira entre o Estado e o setor social, prevê o reforço das respostas das creches, lares e de centros de dia e noite em 440 milhões de euros para os próximos dois anos.

No caso do apoio aos idosos, foi feita uma atualização de 9,5% para as Estruturas Residenciais para Idosos (ERPI) e de 10% para os centros de dia e de noite. Na área da infância e da juventude, o reforço para as creches é de 6,9%.

A adenda prevê ainda o reforço de 7,7% para os Centros de Atividades e Capacitação para a Inclusão e de 5,3% para o Lar Residencial.

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