Mau tempo: Agricultores do Oeste queixam-se de atrasos no pagamento dos apoios

O presidente da Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste queixou-se hoje dos atrasos no pagamento dos apoios aos agricultores cujas explorações foram afetadas pelo mau tempo de janeiro e fevereiro.

© D.R.

“Há atrasos nos apoios dos que fizeram candidaturas desde o final de fevereiro”, afirmou à agência Lusa Sérgio Ferreira.

Segundo o dirigente, o pagamento dos apoios até 10 mil euros “correu bem, mas os agricultores que fizeram candidaturas a apoios que ultrapassam esses montantes não receberam qualquer pagamento, estando a individualizar-se junto da banca para conseguir relatórios de estufas e outras estruturas e para voltar a produzir”.

O vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo (LVT), com a pasta da agricultura, José Bernardo Nunes, esclareceu à Lusa que as candidaturas para a programação do potencial produtivo decorrem até ao final deste mês, motivo pelo qual “só vão ser apresentadas” depois desse prazo.

O responsável admitiu “atrasos” nas restantes candidaturas “por serem muitas”.

À CCDRLVT foram submetidas 2301 candidaturas aos apoios simplificados até 10 mil euros, totalizando um montante de 163,3 milhões de euros.

Desse total, 25,2 ME foram oriundos de Torres Vedras, 9,6 ME de Chamusca, 8,9 ME de Ferreira do Zêzere, 8,7 ME de Alpiarça, 8,4 ME de Alcobaça, 7,8 ME de Alcochete, 7,3 ME de Tomar e 7,2 ME de Coruche.

A maioria dos apoios foi para fazer face a investimentos em armazéns e outras construções (90,1 ME), observando-se as culturas permanentes (41,2 ME), culturas temporárias (17,9 ME) e máquinas e equipamentos (12,6 ME).

José Bernardo Nunes adiantou que já 201 candidaturas, no montante de 1,7 ME, foram enviadas para pagamento, tendo sido pagos 1,5 ME relativos a 175 candidaturas.

O presidente da AIHO alertou ainda para o “aumento do preço dos combustíveis e dos fertilizantes”, que se obtém em 2022 com o início do conflito entre a Rússia e a Ucrânia e que voltou a registar-se com o conflito no Médio Oriente.

“É mais uma pressão para o setor e é preciso fazer mais porque é muito complicado produzir nestas condições”, disse.

A região Oeste produz mais de metade dos produtos hortícolas nacionais, exporta 2,4 mil milhões de euros em frutas, hortícolas e flores, dos quais 600 milhões de euros só com os produtos hortícolas.

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