Portugal está a desaparecer. Não é força de expressão. Não é exagero. É a realidade que muitos veem todos os dias… e que quase ninguém tem coragem de dizer como ela é.
Enquanto se discutem números em Lisboa, há aldeias inteiras a morrer em silêncio.
Quem percorre o interior do país não precisa de estatísticas. Vê-se nas casas fechadas, nas ruas vazias, nos campos abandonados. Vê-se nos cafés que fecharam, nas escolas que desapareceram, nas portas que já não voltam a abrir.
E vê-se, acima de tudo, na ausência de pessoas.
Portugal não está apenas a perder território. Está a perder gente. Está a perder futuro.
Os jovens partem. Não partem porque querem. Partem porque são empurrados. Porque não encontram trabalho digno, porque não conseguem construir uma vida, porque percebem que, no seu próprio país, não há lugar para eles.
Partem para França, Suíça, Luxemburgo, Alemanha. Partem com coragem, mas também com uma revolta silenciosa que cresce a cada geração.
E quem fica?
Ficam os mais velhos. Ficam os que resistem. Ficam os que ainda acreditam que Portugal é mais do que duas ou três cidades.
Durante décadas, disseram-nos que isto era inevitável. Que era o “progresso”. Que o interior tinha de perder para que o litoral pudesse ganhar. E muitos aceitaram essa mentira como se fosse verdade.
Não é.
Isto não é progresso. Isto é abandono.
E enquanto os portugueses são empurrados para fora do seu próprio país, assistimos a um fenómeno que ninguém quer discutir com seriedade: um país que não consegue fixar os seus, que não consegue dar futuro aos seus jovens, abre portas sem estratégia, sem controlo e sem visão.
Não se trata de rejeitar ninguém. Trata-se de colocar uma pergunta simples: como é que um país que não cuida dos seus pode cuidar de todos?
A resposta está à vista.
Portugal precisa de voltar a ter prioridades. Precisa de voltar a colocar os portugueses em primeiro lugar. Precisa de olhar para o interior como parte essencial do país — e não como um território condenado ao esquecimento.
Sem gente, não há economia.
Sem famílias, não há futuro.
Sem território vivo, não há nação.
Outros países já perceberam isso. Em Itália, voltou-se a falar de identidade, de raízes e de comunidade. Não como slogans, mas como base de um projeto político que quer preservar o que é seu.
E nós?
Vamos continuar a fingir que nada se passa?
Porque um país que abandona as suas aldeias… está a abandonar o seu próprio povo.