Há áreas onde o Estado não pode falhar. A segurança é uma delas.
O SIRESP não é um luxo tecnológico. É a espinha dorsal das comunicações entre quem protege os portugueses. Bombeiros, forças de segurança e proteção civil dependem dele quando cada segundo pode significar a diferença entre salvar uma vida ou lamentar uma tragédia.
Sempre que o sistema volta a ser notícia pelas piores razões, o país ouve as mesmas justificações, os mesmos comunicados e as mesmas promessas. O que continua sem ouvir é a palavra que mais falta faz: responsabilidade.
Como Ministro da Administração Interna, Luís Neves já não pode falar apenas como técnico ou antigo dirigente policial. Hoje responde politicamente por um setor onde não há margem para improvisos. Quem aceita governar aceita também prestar contas.
Os portugueses não querem conferências de imprensa para explicar falhas. Querem um sistema que funcione. Querem saber porque continuam a existir problemas numa infraestrutura estratégica onde o Estado já investiu centenas de milhões de euros. E querem saber quem responde quando o sistema falha.
A confiança nas instituições não se constrói com discursos. Constrói-se com resultados. Um ministro mede-se pela capacidade de prevenir problemas, não apenas pela rapidez com que tenta justificá-los.
Portugal não precisa de mais promessas sobre o SIRESP. Precisa de um SIRESP que funcione quando é realmente preciso.
Porque quando as comunicações falham numa emergência, não falha apenas um sistema. Falha o Estado. E quando o Estado falha, alguém tem de assumir essa responsabilidade.