Ventura admite moção de censura ao Governo por causa de Luís Neves: “Chegámos ao limite”

Presidente do CHEGA considera que Luís Montenegro perdeu autoridade sobre o ministro da Administração Interna e avisa que, se não houver uma decisão sobre Luís Neves, o partido admite avançar com uma moção de censura. André Ventura acusa o ministro de ter arrastado o país para um “lamaçal político” e garante que a comissão parlamentar de inquérito é para manter.

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André Ventura deixou esta sexta-feira um aviso a Luís Montenegro: “se o primeiro-ministro não tomar uma decisão sobre a continuidade do ministro da Administração Interna, o CHEGA admite avançar com uma moção de censura ao Governo.”

Em Coimbra, o presidente do CHEGA considerou que a situação atingiu um ponto insustentável e interpretou as palavras do Presidente da República como um sinal dirigido ao Executivo. “O que o Presidente da República disse foi claro. Deu um prazo ao Governo e um ultimato”, afirmou, acrescentando que, se houve necessidade de estabelecer um prazo, é porque Luís Neves “não tem condições para continuar”.

Ventura colocou também em causa a autoridade de Montenegro sobre o ministro. “O PM parece que não compreende a gravidade do que está em causa”, acusou, considerando que o primeiro-ministro aparenta não ter “autoridade sobre Luís Neves”.

“Só falta termos um ministro que pareça o Al Capone”, atirou.

“Luís Neves está a atirar o país para um lodo”

Para Ventura, o caso transformou-se num “lamaçal político grave” que está a atingir não apenas o Governo, mas também instituições como a Polícia Judiciária. “Luís Neves está a atirar o país para um lodo”, afirmou, defendendo que o próprio ministro já deveria ter percebido que “as suas condições são zero” para continuar no cargo.

Ventura rejeitou a ideia de que o CHEGA procure provocar uma crise, garantindo que o partido tem assumido uma postura responsável. Mas deixou claro que essa contenção chegou ao fim: “Não sou de prazos. Apenas chegámos ao limite.”

Moção de censura em cima da mesa

Caso Montenegro não tome uma decisão, Ventura admite recorrer a um dos instrumentos mais duros de fiscalização parlamentar. “Se não tivermos uma decisão, voltaremos a estar junto do Presidente da República e apresentaremos uma moção de censura”, anunciou.

O líder do CHEGA disse, contudo, esperar que esse cenário seja evitado: “Espero que não haja moção de censura. O primeiro-ministro tem de compreender que isto não pode continuar.”

E resumiu a pressão sobre Montenegro: “Se o Presidente da República diz que isto é inaceitável, e se o país diz que é inaceitável, o primeiro-ministro tem de saber que é inaceitável.”

“CPI é para manter”

Uma eventual saída de Luís Neves não altera, porém, os planos do CHEGA relativamente à comissão parlamentar de inquérito à Polícia Judiciária. “A CPI é para manter, uma coisa não tem a ver com a outra”, garantiu Ventura.

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