Perdoem a partilha, talvez não seja o melhor espaço para o fazer, ou talvez seja. Recordo-me quando era um miúdo sonhador e tolo, cujo peito se enchia de orgulho quando escutava as nossas façanhas no período dos Descobrimentos, com coragem, perseverança, honra e determinação, deixámos a nossa pegada em África, na Índia, no extremo Oriente e na América do Sul. Nesse período áureo da nossa história, não éramos pequenos, éramos gigantes, não importávamos fúteis costumes ou ideologias, antes pelo contrário, deixámos um pouco de nós em cada território descoberto ou conquistado.
Ainda hoje conseguimos encontrar resquícios da nossa cultura em Goa, Macau, Timor-Leste, locais geograficamente tão distantes e, no entanto, tão próximos da nossa génese. Por essa razão não consigo entender como parte da sociedade portuguesa se tornou tão branda e por vezes tão pequena. Toleramos aumentos desmesurados de impostos sem dar luta, consentimos ser gradualmente substituídos por migrantes provenientes de países cuja matriz cultural e religiosa é diferente da nossa, sem dizer uma única palavra, pagamos taxas e taxinhas em que por vezes nem sabemos a razão de o fazer, assistimos a um gradual e cada vez mais flagrante apodrecimento da classe política, sem barafustar.
Somos legalmente roubados, lubrificados e gozados, sem que esta classe política seja responsabilizada. Recordo-me que há uns anos, se um político fosse envolvido em algum tipo de escândalo, era imediatamente convidado a sair. Hoje somos brindados com truques de magia do aprendiz do Houdini, por um serviço nacional de saúde moribundo, por forças de segurança paupérrimas (que fazem o melhor que podem para garantir a ordem pública), por escândalos na educação e por uma Justiça que é morosa a julgar qualquer caso que envolva a nata das elites sociais portuguesas.
Dito isto, onde paira a nossa garra, onde paira o nosso orgulho de ser português? É só no decorrer dos jogos de futebol que conseguimos recordar-nos dessa força adormecida, quando todos se juntam de forma desinteressada para torcer por um bem maior. É pena que não conseguimos presenciar a mesma animosidade e empenho quando se trata de assuntos políticos.
Aos poucos temos constatado que os portugueses estão a acordar e a perceber que têm vivido sob uma mordaça moralmente falaciosa. Não temos de ser politicamente corretos com quem comete crimes, não temos de ser politicamente corretos com quem nos rouba, não temos de ser politicamente corretos com quem ambiciona impor a sua religião e a sua cultura sobre a nossa.
Temos de honrar os nossos antepassados e a nossa história. Quem vier por bem e se adaptar aos nossos costumes, à nossa cultura e quiser trabalhar, é bem-vindo, caso contrário, a porta da rua é serventia da casa.