Mulheres Conservadoras: coragem para pensar diferente

Há movimentos que incomodam pelas ideias que defendem. E há movimentos que incomodam simplesmente porque recusam aceitar que existe apenas uma forma legítima de uma mulher pensar.

O movimento Mulheres Conservadoras nasce precisamente nesse espaço: o espaço de mulheres que decidiram afirmar publicamente que também querem ter voz, representação e lugar no debate político e social português.

E talvez seja por isso que incomode tanto.

Ainda existe uma ideia profundamente enraizada de que uma mulher só é verdadeiramente livre quando pensa de determinada maneira. Uma mulher progressista é independente. Uma mulher de esquerda é corajosa. Uma mulher feminista é emancipada. Mas uma mulher conservadora? Essa parece precisar sempre de uma explicação.

É neste contexto que a presença de mulheres como Rita Matias, Rute Sousa, Madalena Cordeiro e Rebeca de Castro Batista assume uma importância particular.

Rita Matias representa uma geração de mulheres que decidiu entrar na política sem pedir licença e sem esconder aquilo em que acredita. A sua presença demonstra que o conservadorismo não é exclusivamente masculino e que existem mulheres dispostas a defender publicamente as suas convicções, mesmo quando sabem que serão alvo de críticas.

Madalena Cordeiro representa também uma nova geração que não pretende aceitar que a participação feminina na política tenha de estar limitada a uma única visão ideológica. Existem jovens mulheres que querem discutir o futuro do país, participar na vida pública e defender os seus valores — e isso, por si só, já é uma afirmação de liberdade.

Rute Sousa assume uma importância igualmente relevante num tempo em que grande parte do debate político e cultural acontece através da comunicação e das redes sociais. Dar voz a ideias conservadoras, participar no debate e aceitar a discussão pública é também uma forma de ocupar um espaço que durante demasiado tempo pareceu reservado a determinadas correntes de pensamento.

E depois temos Rebeca de Castro Batista, fundadora do movimento.

A importância de Rebeca não está apenas em ter criado uma organização. Está em ter identificado uma necessidade: a existência de mulheres que não se reveem necessariamente nas correntes dominantes do feminismo e que, ainda assim, querem discutir o papel da mulher na sociedade, a família, a maternidade, a educação, a cultura, a religião e aquilo que queremos preservar e transmitir às próximas gerações.

Foi preciso alguém dar o primeiro passo.

E esse passo é importante porque nenhum movimento nasce grande. Nasce de uma ideia, de uma convicção e da coragem de dizer: “Nós também estamos aqui.”

É precisamente essa coragem que une estas mulheres.

Não significa que todas tenham de pensar exatamente da mesma forma. Não significa que todas as mulheres conservadoras tenham as mesmas experiências ou as mesmas prioridades. Significa apenas que existe espaço para uma perspetiva que durante demasiado tempo foi tratada como incompatível com a liberdade feminina.

E é aqui que surge a pergunta: porque é que uma mulher conservadora incomoda tanto?

Talvez porque destrói uma narrativa confortável.

A narrativa de que todas as mulheres devem necessariamente chegar às mesmas conclusões. A narrativa de que defender a família é ser retrógrada. A narrativa de que valorizar a maternidade é rejeitar a emancipação. A narrativa de que uma mulher que discorda de determinadas correntes feministas está, inevitavelmente, contra as mulheres.

Não.

Podemos discordar umas das outras e continuar a ser mulheres livres.

Uma mulher conservadora não precisa de abandonar os seus valores para provar que é independente. Não precisa de rejeitar a maternidade para demonstrar ambição. Não precisa de esconder a sua feminilidade para ser respeitada. E não precisa de pedir autorização para defender aquilo em que acredita.

Ser conservadora não significa querer voltar atrás no tempo.

Significa, muitas vezes, olhar para o presente e perguntar: de tudo aquilo que conquistámos, o que devemos preservar?

Porque nem tudo o que é antigo é ultrapassado. E nem tudo o que é novo é necessariamente melhor.

A verdadeira liberdade deveria permitir-nos fazer escolhas diferentes. Uma mulher pode querer construir uma carreira. Pode querer dedicar-se à família. Pode querer ser mãe. Pode não querer ser mãe. Pode defender valores tradicionais. Pode ter ambições políticas. Pode querer todas essas coisas ao mesmo tempo.

A sua liberdade não deveria depender da aprovação de uma determinada ideologia.

É por isso que o movimento Mulheres Conservadoras é importante.

Não porque pretenda falar por todas as mulheres.

Mas porque pretende garantir que as mulheres conservadoras também podem falar.

Podemos discutir as suas ideias. Podemos discordar das suas posições. Podemos questionar as suas propostas. Isso faz parte de uma sociedade democrática.

O que não podemos fazer é dizer a uma mulher que a sua opinião vale menos simplesmente porque não corresponde àquilo que esperávamos que uma mulher dissesse.

Rita Matias, Rute Sousa, Madalena Cordeiro e Rebeca de Castro Batista representam, cada uma à sua maneira, essa ruptura com o estereótipo.

Representam mulheres que escolheram ocupar espaço, assumir as suas convicções e participar no debate público sem pedir desculpa por pensar diferente.

E talvez essa seja precisamente a maior força deste movimento.

Mostrar que ser mulher não determina aquilo em que devemos acreditar.

Como jovem conservadora, acredito que essa é uma mensagem que merece ser ouvida.

Não precisamos de escolher entre sermos mulheres e sermos conservadoras. Podemos ser as duas coisas — livremente, conscientemente e sem pedir desculpa por isso.

Porque a liberdade não pode significar apenas ter liberdade para escolher aquilo que os outros aprovam.

Liberdade é também ter coragem para pensar diferente.

Artigos do mesmo autor

As imagens de pressão migratória sobre Ceuta voltaram a recordar à Europa uma realidade que muitos preferem ignorar: as fronteiras externas da União Europeia continuam sob forte pressão. Embora Portugal não enfrente atualmente uma situação idêntica, seria ingénuo acreditar que os desafios que afetam os nossos vizinhos nunca poderão ter impacto no nosso país. Enquanto […]

A derrota de André Ventura foi, para muitos de nós, um verdadeiro murro no estômago. Não apenas por causa de um resultado eleitoral, mas porque sentimos que, mais uma vez, as vozes de milhares de portugueses que pedem mudança continuam a ser ignoradas ou ridicularizadas. Para uma jovem mulher conservadora, que cresceu a ouvir promessas […]

O feminismo dominante continua a falar como se representasse todas as mulheres. Mas a realidade mostra fissuras nessa unanimidade. Cada vez mais mulheres jovens recusam a narrativa da vitimização permanente e afirmam-se fora do discurso oficial, sem pedir desculpa por isso. A presença de Rita Matias e Madalena Cordeiro na Assembleia da República simboliza essa […]