Noite Branca: espetáculo de uma noite, necessidades de todos os dias

Gondomar tem problemas que não desaparecem quando se acendem as luzes de uma festa. As ruas continuam a precisar de melhores condições, muitos passeios continuam degradados, existem problemas de estacionamento, de mobilidade e de limpeza urbana e há famílias que enfrentam dificuldades que exigem respostas concretas e permanentes.

É neste contexto que importa questionar as prioridades políticas e financeiras do município.

A Noite Branca de Gondomar pode proporcionar animação, dinamizar o comércio local e trazer pessoas para o concelho. Não está em causa a importância de iniciativas culturais ou de entretenimento. O que está em causa é outra coisa: a dimensão do investimento público e a sua proporcionalidade perante as necessidades reais da população.

Quando existem recursos limitados, cada euro gasto pelo município deve ser sujeito a uma pergunta simples: é esta a prioridade mais urgente para os gondomarenses?

Enquanto se investe fortemente numa iniciativa concentrada numa única noite, os cidadãos continuam a confrontar-se, durante todo o ano, com problemas muito mais concretos: estradas e passeios que necessitam de intervenção, falta de estacionamento, transportes públicos que nem sempre respondem às necessidades da população, espaços públicos que carecem de manutenção e respostas sociais que poderiam ser reforçadas.

Uma autarquia não pode avaliar o seu sucesso apenas pela quantidade de pessoas que consegue reunir num evento. Deve avaliá-lo também pela qualidade dos serviços que presta diariamente e pela capacidade de resolver os problemas que afetam a vida dos cidadãos.

Uma noite dura algumas horas. As necessidades de Gondomar duram 365 dias.

É legítimo promover cultura, lazer e comércio. Mas também é legítimo — e necessário — perguntar quanto custa, quais são os benefícios efetivamente gerados para o concelho e se existem alternativas que permitam alcançar os mesmos objetivos com menor despesa pública.

Gondomar precisa de uma política municipal que saiba distinguir aquilo que é importante daquilo que é verdadeiramente prioritário. Precisa de investimento que deixe obra, melhores serviços, maior qualidade de vida e respostas concretas para quem cá vive.

É essa discussão que queremos trazer para o espaço público: não somos contra a Noite Branca, somos contra a ideia de que uma grande festa pode servir para esconder pequenas — ou grandes — insuficiências na gestão quotidiana do município.

Os gondomarenses merecem transparência sobre quanto é gasto, onde é gasto e quais são os resultados obtidos.

Porque governar não é apenas organizar eventos e encher praças.

Governar é escolher. E, quando os recursos são de todos, as prioridades também devem ser discutidas por todos.

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