Linha de Prevenção do Suicídio recebeu mais de 25 mil chamadas no primeiro ano de funcionamento

A Linha Nacional de Prevenção do Suicídio recebeu cerca de 25.600 chamadas no primeiro ano de atividade, das quais quase 700 correspondiam a situações de risco iminente de suicídio, avançou hoje à Lusa o coordenador clínico do serviço.

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As mulheres e os jovens entre os 18 e os 29 anos foram quem mais procurou a linha 1411, que entrou em funcionamento em 10 setembro de 2025, data que assinala o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, disse José Carlos Santos.

Para o responsável, o número de chamadas recebidas é “bastante considerável”, tendo em conta que é um serviço novo e que ainda há pessoas que desconhecem a linha, que funciona em permanência e é assegurada por cerca de 70 psicólogos clínicos e enfermeiros de saúde mental, com formação em suicidologia.

A linha atendeu perto de 80% das chamadas, o que o coordenador considerou ser “um bom indicador e compara muito bem com indicadores internacionais”, e o tempo médio de espera ronda os 50 segundos, havendo chamadas atendidas em cerca de 10 segundos e outras até três minutos.

As mulheres representam cerca de 60% das pessoas que contactam a linha, enquanto os homens correspondem a 40%. O maior número de chamadas concentra-se entre os 18 e os 29 anos, grupo que representa mais de 40% dos contactos.

O responsável alertou para a menor procura da linha por parte dos homens, associando-a à maior dificuldade que estes poderão ter em expressar emoções e pedir ajuda, mas realçou que “pedir ajuda não é nenhuma fraqueza” e que reconhecer a necessidade de apoio pode ser “um ato de inteligência” e de autoconhecimento.

Deixou também uma mensagem dirigida às pessoas mais velhas, afirmando que no serviço encontram profissionais preparados para ouvir, em condições de confidencialidade, e para encaminhar os casos sempre que necessário.

Entre os motivos identificados nas chamadas estão sobretudo sintomatologia relacionada com ansiedade e depressão, mas também ideação suicida e conflitos relacionais e familiares. Há ainda pessoas que ligam porque estão preocupadas com um amigo ou familiar que podem estar em sofrimento, para saber “como é que podem ajudar, o que não devem dizer e o que podem fazer”.

A linha, coordenada pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, registou um primeiro pico em novembro e dezembro, com especial incidência na época do Natal, e outro, de maior dimensão, durante julho e agosto.

O coordenador considera que o aumento registado no período natalício pode estar relacionado com situações de solidão e isolamento. “O Natal nem sempre é só alegria e festas”, afirmou, lembrando que esta época pode ser particularmente difícil para quem não tem companhia.

O aumento durante o verão poderá estar relacionado com situações de maior isolamento, nomeadamente entre pessoas que não têm possibilidade de sair de férias ou que não têm companhia para o fazer.

O responsável enquadrou a procura da linha num contexto mais amplo de saúde mental, lembrando o último estudo epidemiológico nacional que indica que perto de 25% da população teria um problema de saúde mental.

Apesar disso, Portugal apresenta uma taxa de suicídio que classificou como não muito elevada, de cerca de 10 mortes por 100 mil habitantes, com maior reflexo nos idosos e “com um valor quase residual nos adolescentes, abaixo de 5 por 100 mil”.

O coordenador destacou, contudo, a necessidade de trabalhar com os adolescentes na prevenção devido ao risco de fenómenos de imitação ou contágio após um suicídio, mas também com os idosos para combater fenómenos de isolamento, solidão e doença mental.

Defendeu também a importância de intervir sobre os determinantes sociais da saúde mental, apontando as desigualdades sociais como um dos fatores com impacto no sofrimento psicológico.

No seu entender, a prevenção do suicídio “é uma tarefa de todos”, dos ministérios da Saúde, Educação, Administração Interna e Emprego, mas também das autarquias, escolas, locais de trabalho, empresas e comunidades.

O coordenador reforçou ainda que pedir ajuda não deve ser visto como um sinal de fraqueza e sublinhou que as crises suicidárias, em regra, são limitadas no tempo, pelo que existe margem para intervenção e prevenção.

No balanço do primeiro ano, deixou ainda um agradecimento aos profissionais que permitiram que a linha respondesse eficazmente a todas as pessoas que procuraram ajuda na linha.

Destacou ainda a importância das linhas de apoio que existem em Portugal, maioritariamente constituídas por voluntários, e que fazem “um trabalho muitíssimo importante na prevenção do suicídio” e são universalmente conhecidas como uma medida muito importante para a prevenção do suicídio.

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