Há uma força silenciosa, mas destrutiva, a corroer os alicerces da nossa matriz civilizacional. Apresenta-se sob o manto sedutor da empatia e do progresso, mas a sua verdadeira natureza é a de uma engenharia social implacável. O “wokismo” deixou de ser uma moda académica para se transformar numa verdadeira inquisição moderna, cujo único objetivo é a desconstrução sistemática dos valores ocidentais que ergueram as sociedades mais prósperas e livres da história humana.
Esta ideologia opera através da perversão da linguagem e da inversão de valores. O exemplo mais trágico desta inversão é a forma como a vida humana foi banalizada. O aborto, que em tempos mereceu reflexão ética e respeito pela gravidade do ato, foi transformado pela agenda woke numa mera bandeira de conveniência, promovido quase como um método contracetivo banal ou um ritual de passagem para a emancipação. A sacralidade da vida foi substituída por um utilitarismo frio e descartável.
Paradoxalmente, este mesmo movimento que se diz o paladino absoluto da libertação feminina é o primeiro a ostracizar as mulheres que exercem a sua liberdade de forma tradicional. Instalou-se uma cultura de discriminação e de superioridade moral contra a mulher que escolhe, de livre vontade, dedicar-se ao lar e à educação dos filhos. A vocação mais nobre e fundamental da humanidade, a maternidade e a estruturação da família, é hoje vista pelas elites progressistas como um sinal de submissão ou de falta de ambição. Exige-se que a mulher se entregue ao mercado de trabalho e ao corporativismo, enquanto a escolha de ser o pilar da sua própria casa é alvo de um escárnio velado. É um feminismo hipócrita que dita à mulher o que ela deve querer.
A tática final deste sequestro ideológico é o dogma do relativismo absoluto. A imposição de que temos de aceitar tudo e todos, diluindo fronteiras, morais e culturais. Vende-se a ideia de que tolerar qualquer comportamento, por mais bizarro ou prejudicial que seja ao tecido social, é um ato de virtude. Mas a verdade é mais crua, uma sociedade que aceita tudo é uma sociedade que já não acredita em nada. Quando todas as narrativas passam a ter o mesmo valor, o conceito de Verdade desaparece, abrindo caminho para a anarquia cultural e para a fragilização dos Estados-Nação.
Perante esta ofensiva, a Direita tem de assumir o seu papel histórico. Já não se trata apenas de uma disputa sobre impostos ou modelos económicos, trata-se de uma verdadeira guerra civilizacional. A Direita tem de se erguer como o grande muro protetor do Ocidente, a trincheira inexpugnável onde o bom senso, a família, o mérito e o direito à vida encontram guarida.
Não podemos recuar um milímetro perante o policiamento do pensamento. A Direita tem de ser a voz dos que recusam ajoelhar perante a tirania do politicamente correto. É o momento de reafirmarmos, sem complexos e com a coragem que a História nos exige, que há valores sagrados a defender. Porque se este muro cair, não sobrará nada que possamos chamar de nosso.