“Não pode ser interrompida, nem desviada”: Ventura recusa travar investigação parlamentar a Luís Neves

André Ventura garantiu que a comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves na Polícia Judiciária vai avançar sem interrupções, mesmo durante a discussão do Orçamento do Estado. À saída da tomada de posse da comissão, o presidente do CHEGA denunciou tentativas de travar os trabalhos e assegurou que a investigação continuará mesmo que Luís Neves abandone o Governo.

O presidente do CHEGA, André Ventura, defendeu esta quarta-feira que a comissão parlamentar de inquérito (CPI) à atuação de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária deve avançar sem interrupções, rejeitando que os trabalhos sejam suspensos devido à discussão do Orçamento do Estado ou ao funcionamento de outras comissões.

À saída da tomada de posse da CPI, na Assembleia da República, Ventura afirmou que o objetivo é garantir o apuramento de eventuais irregularidades relacionadas com a gestão de Luís Neves na Polícia Judiciária.

“É importante que o Parlamento compreenda esta urgência. É esta a nossa vontade”, declarou.

O líder do CHEGA reconheceu que o partido já manifestou publicamente a sua posição sobre Luís Neves, mas defendeu que a investigação parlamentar deve decorrer com autonomia, através dos documentos e das diligências que a comissão considerar necessários.

“Aqui trata-se de investigar eventuais irregularidades”, sublinhou.

“Houve bloqueios e tentativas de paragem”

André Ventura afirmou que existiram tentativas de dificultar o avanço da comissão e defendeu que o Parlamento deve assegurar as condições necessárias para o desenvolvimento da investigação.

“Sim, houve bloqueios e tentativas de paragem, e é tudo o que não deve acontecer numa CPI”, declarou, sem identificar, nestas declarações, todas as situações a que se referia.

O presidente do segundo maior partido rejeitou ainda que os trabalhos sejam interrompidos durante a discussão do Orçamento do Estado ou devido à atividade de outras comissões parlamentares.

“Os portugueses pagam-nos para trabalhar”, afirmou.

Ventura acrescentou que a sua responsabilidade enquanto presidente da comissão passa por garantir a realização das diligências necessárias ao apuramento dos factos, independentemente das posições políticas que tenha assumido anteriormente.

O líder partidário comprometeu-se também a respeitar a confidencialidade dos elementos que não possam ser divulgados publicamente.

“O que não for público é porque não é público e, enquanto presidente do CHEGA, nada divulgarei”, assegurou.

Questionado sobre uma eventual saída de Luís Neves do Ministério da Administração Interna (MAI), Ventura esclareceu que essa possibilidade não alteraria o funcionamento da comissão parlamentar.

“A CPI continuaria a funcionar mesmo que Luís Neves saísse do cargo”, afirmou.

A investigação parlamentar incide sobre a atuação de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária, não estando dependente da sua permanência no Executivo.

“Só acordou agora para este problema?”

O líder da oposição dirigiu ainda críticas ao secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, na sequência das suas declarações sobre a necessidade de uma remodelação no MAI.

“José Luís Carneiro só acordou agora para este problema? E disse que é necessário haver uma remodelação no MAI? Só agora?”, questionou.

Ventura afirmou que o CHEGA tem vindo a alertar para a situação no ministério há vários meses, acusando o PS de só agora defender alterações na equipa governativa.

“Esta história tem meses e andamos há meses a dizer que isto é um caos”, declarou.

O líder partidário referiu ainda que existe uma maioria socialista a pedir ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, que resolva a situação no MAI.

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