Um cataclismo anunciado

Por muito que os fatalistas o garantam, a morte da Europa, do nosso Povo e da nossa Civilização, não é inevitável.

Há quase um quarto de século, o pensador francês Guillaume Faye publicava mais um ensaio tão explosivo como premonitório. Em “Avant-guerre. Chronique d’un cataclysme annoncé” (Ante-guerra. Crónica de um cataclismo anunciado) previa uma guerra civil étnica na Europa e advertia: «Quando terminarem de ler este livro, talvez fiquem convencidos ou repugnados, optimistas ou pessimistas. A minha tese é que se avizinha um grande confronto e que este será ou a nossa morte ou o nosso renascimento, mas, em todo o caso, que talvez seja a nossa última oportunidade.»
Mais do que analisar o livro de Faye, nomeadamente para tentar encontrar os pontos em que as suas previsões não acertaram exactamente, como tanto gostam de fazer os seus detractores, interessam aqui dois aspectos fundamentais. Primeiro, a mensagem de um renascimento possível, recordando que é das grandes crises mortíferas que pode igualmente surgir a salvação. Segundo, a identificação de um fenómeno que se tem agravado em França e em cada vez mais países europeus. Até em Portugal, país que muitos ingenuamente pensavam imune, assistimos à escalada do caos e às mesmas consequências que vemos hoje noutros lugares.
Paris a ferro e fogo, batalhas campais nas principais cidades francesas, mas também em Milão ou Bruxelas, não são a conclusão de um conflito latente ou a explosão de meras tensões sociais. Representará esta guerrilha urbana de baixa intensidade o início de um enfrentamento generalizado na Europa?
Assistimos hoje em França ao afundamento do Estado cuja função primordial, para Hobbes, é garantir a segurança, a paz civil e o bem-estar da população. Cavalgando manifestações por melhores condições escolares ou por melhores condições de vida, dois grupos principais actuam numa aparente impunidade que deixa qualquer pessoa perplexa. Grupúsculos de extrema-esquerda, anarquistas e comunistas, sob a protecção e até incentivo de eleitos por La France Insoumise (LFI), o partido do candidato presidencial Jean-Luc Mélenchon, atacam organizadamente. Ao seu lado, «jovens»” dos subúrbios, na sua maioria descendentes de imigrantes extra-europeus, aproveitam para intensificar os estragos e saquear lojas. Os alvos imediatos de ambos são as forças policiais, os representantes dos poderes públicos, mas também pequenos comerciantes que, em vão, tentam defender os seus negócios.
Os primeiros crêem-se obreiros da revolução que derrubará «o sistema». Para muitos, o objectivo é a «Nova França» defendida por Mélenchon. E, para consegui-la, é necessário destruir a «França Eterna». Os segundos, moldados por uma cultura de vitimização e desculpabilização, eternos «oprimidos», sonham com uma resposta islâmica ao país que consideram «racista e colonizador». Ambos beneficiando da complacência do mundo mediático e do laxismo judicial.
A estes dois elementos activos juntam-se dois passivos. Os políticos centristas, que negam a realidade e insistem que tudo se resolve com mais oportunidades, diálogo ou diversidade, e um povo autóctone, desarmado física e moralmente, incapaz de reagir.
A solução imediata dada por muitos é a de uma simples resposta policial vigorosa e judicialmente implacável, uma bukelização europeia. Mas será hoje realmente possível perante os entraves jurídicos, nacionais e europeus?
A História é o domínio do desconhecido, como afirmava Dominique Venner, e os acontecimentos que estamos a viver podem precipitar mudanças estruturais e fundamentais. Assente em raízes profundas, impõe-se pensar a longo prazo…
Perante o anúncio do cataclisma, que fazer? No seu livro de 2002, Faye respondia: «É preciso ter confiança. As ideologias e as morais desvirilizantes estão a perder fôlego. Elas iluminam as próprias ruínas com os seus últimos brilhos e os seus perfumes transformam-se em odores putrefactos. É preciso ter confiança neste ressurgimento, do qual ainda não temos hoje uma noção clara, que virá de uma alma ancestral que não morreu, mas está simplesmente adormecida e continua bem presente nos genes; essa força, essa revolta, cujos contornos não podemos delinear nem prever a data, terá necessariamente explosões, tsunamis: o despertar dos Titãs.»

Artigos do mesmo autor

O sacrifício de Jan Palach foi um grito pela liberdade e o símbolo de um combate que continua vivo.

Uma política cultural nacional deve assentar num eixo fundamental que inclua a Identidade, o Património e a Transmissão. Os navegadores que deram «novos mundos ao mundo» levavam consigo os padrões com que deixaram a sua marca. Foi numa era que alguns já consideraram «a primeira globalização» e em que este símbolo de todo um génio […]

O cenário político actual apresenta uma oportunidade que não pode ser desperdiçada. O dia 18 de Maio foi um marco histórico para a política portuguesa, mas não deve ser visto como um ponto de chegada, antes de partida. A alteração profunda e inédita da composição da Assembleia da República, expressa a vontade popular de uma […]

A Bélgica é dos países europeus em que o fenómeno da islamização mais se faz sentir, mas os «suspeitos do costume» insistem em negar a realidade, mesmo perante os factos. A capa do Figaro Magazine da semana passada não deixou ninguém indiferente. Na fotografia de página inteira, em primeiro plano, uma jovem muçulmana coberta pelo […]

Atribui-se a Lenine a máxima «os capitalistas vender-nos-ão a corda com a qual serão enforcados» que, sob diferentes formas, se presta a diversas analogias. É por isso irresistível recordarmos esta frase perante o absurdo a que assistimos actualmente. Em matéria de imigração maciça, flagelo que assola a Europa, França é um dos exemplos gritantes de […]