A dificuldade em comprar ou arrendar casa está a condicionar os planos de milhares de jovens portugueses que pretendem constituir família. A conclusão consta do relatório Portugal em Perspetiva, elaborado pela Rede de Serviços de Planeamento e Prospetiva da Administração Pública (REPLAN), citado pelo ECO.
Os números mostram a dimensão do problema: os jovens portugueses deixam a casa dos pais, em média, aos 28,8 anos, mais dois anos do que a média da União Europeia, situada nos 26,3 anos. Entre os 15 e os 29 anos, 21,4% vivem em habitações sobrelotadas.
A falta de condições para constituir família reflete-se também na demografia. A taxa de fecundidade aumentou de 1,21 filhos por mulher, em 2013, para cerca de 1,52 em 2025, permanecendo abaixo dos 2,1 necessários para assegurar a substituição de gerações.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), as mulheres portuguesas tiveram o primeiro filho, em média, aos 30,7 anos em 2025, mais seis meses do que uma década antes.
O problema agrava-se com a escassez de habitação. Em 2025, foram licenciados 48.844 novos fogos, mas apenas 30.425 ficaram concluídos. O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, estima que faltem cerca de 300 mil casas para responder às necessidades do país.