Agricultores portugueses pagam mais 120 milhões de euros em combustível do que os espanhóis

Produzir em Portugal custa mais caro logo à partida. Os agricultores nacionais enfrentam um encargo adicional de quase 120 milhões de euros em combustível face aos concorrentes espanhóis, mesmo depois dos apoios públicos.

© NUNO VEIGA/LUSA

Os agricultores portugueses suportam custos de combustível superiores aos dos produtores espanhóis. Segundo um estudo da Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (Confagri), consultado pelo Jornal Económico, esta diferença representa um encargo adicional estimado em 118,1 milhões de euros, num mercado onde os dois países disputam os mesmos consumidores.

A análise, que abrange mais de 155 mil utilizadores de gasóleo agrícola e um consumo aproximado de 286 milhões de litros, aponta para uma diferença média de 41,3 cêntimos por litro, de acordo com os referenciais de preços e apoios considerados pela Confagri. Espanha beneficia de mecanismos de apoio mais elevados, permitindo aos seus agricultores reduzir os custos de produção.

O Alentejo surge como a região mais penalizada, com um encargo adicional estimado em 28,3 milhões de euros, seguido de Lisboa e Vale do Tejo, com 27,5 milhões. A Beira Litoral e Entre-Douro e Minho registam impactos superiores a 17 milhões de euros cada, revela a mesma fonte.

A Confagri alerta ainda que cerca de 15% dos agricultores analisados ficam excluídos dos apoios ao combustível devido à existência de dívidas fiscais ou contributivas, agravando as dificuldades financeiras de explorações que já enfrentam custos elevados.

Nuno Serra, secretário-geral da Confagri, considera que esta desigualdade coloca a produção nacional em desvantagem perante Espanha e defende apoios públicos que garantam condições de concorrência equivalentes entre os dois países.

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