Respeitem o Capitão. Respeitem Portugal

Por um adepto que nunca renunciou ao melhor da história do futebol

Pela Selecção passam muitos jogadores. Uns entram, outros saem, alguns deixam saudades. Cristiano Ronaldo é outra coisa, porque foi ele que nos devolveu o prazer de sentir Portugal e quem ainda não percebeu isso, seja no banco, no balneário ou nos gabinetes da Cidade do Futebol, não percebeu nada do país onde vive.
Falo de um miúdo da Madeira que deixou a casa dos pais aos doze anos com pouco mais do que talento e uma teimosia de ferro. Ninguém lhe ofereceu coisa nenhuma. Nunca andou a lamber botas para ter protagonismo ou subsídios, trabalhou mais do que todos os outros durante mais de vinte anos e lutou pelos clubes, pela Selecção e por Portugal de forma irrepreensível. Representa aquilo em que nós, portugueses de valores, sempre acreditámos. Mérito, disciplina, amor à bandeira, a família acima de tudo. Deu-nos o Euro 2016 e duas Ligas das Nações, ganhou nos campeonatos mais exigentes da Europa e este Verão, aos 41 anos, tornou-se o primeiro jogador da história a marcar em seis Mundiais. Num país tantas vezes habituado a bajular os de fora, foi ele que pôs o mundo a olhar para nós com respeito.
A paga tem sido o esquecimento e a falta de respeito.

Um treinador que confunde autoridade com vaidade
Jorge Jesus chegou em Julho a garantir que Cristiano “nunca seria um problema”. Três jogos depois mostrou a sua incapacidade para estar ao nível mental do nosso Capitão. Deixou-o 30 minutos a aquecer e esqueceu-se, como se o melhor jogador da nossa história fosse um suplente qualquer. Falta de discernimento e o ego a falar mais alto. Já se pode gabar aos netos que se esqueceu do Grande Ronaldo. O grande feito e orgulho que aqui está.
Ten Hag, o tal que passou pelo Manchester tentou o mesmo e sabemos como acabou. Agora ninguém se lembra bem por onde o Ten. Do Cristiano fala o mundo inteiro.
Jesus gosta de contar, com aquele sorrisinho de quem se julga dono do futebol, que no Al Nassr o substituiu dezasseis vezes. Ficamos assim a saber que o seleccionador nacional colecciona as substituições de Ronaldo como outros coleccionam troféus. Um treinador a sério lembraria os golos que ele marcou e o peso que teve no título saudita, mas o Jorge prefere pôr no currículo, em letras gordas, as vezes que o tirou de campo. Lagartixa nunca chega a lagarto.
Aos 72 anos, precisa da Selecção para provar a si mesmo que manda mais do que o melhor jogador de todos os tempos para ir para casa a rebolar no ego. Grande feito.
Um seleccionador não é dono de coisa nenhuma, está de passagem ao serviço de uma instituição que pertence a todos nós. Jesus não vai perceber que a Selecção não é dele. Tal como alguns infelizes jogadores brasileiros, que saíram da favela, mas a favela nunca saiu dele.

A hipocrisia do balneário
E os colegas? Os mesmos que durante anos viveram à sombra de Ronaldo, que se aproveitaram dos golos dele, da fama dele, das portas que ele abriu ao futebol português no mundo inteiro, assistem agora calados ao seu afastamento. Nem um se levantou, nem uma palavra pública em defesa do capitão. Para a fotografia com a taça estavam todos na primeira fila, mas quando foi preciso coragem e honra ninguém apareceu.
Ingratidão. Num país que se gaba dos seus brandos costumes, virar as costas a quem nos honrou é o pior costume de todos, e infelizmente acontece sempre aos heróis que vão escrevendo uma linda história com quase 900 anos. Daqui a mil anos ainda se falará de Ronaldo. Dos outros, como se costuma dizer, dos fracos não reza a história.
Na Dinamarca, esses meninos mimados, de ego cheio de notas, mostraram o que sempre recusaram dar quando o Cristiano estava em campo. Andaram anos a poupar-se ao lado dele e com isso tiraram a Portugal vitórias e títulos. Se fossem homens com H grande recusavam-se a vestir a camisola 7. Bastava-lhes olhar como Højlund festejou o golo da Dinamarca para perceberem o que o mundo pensa do nosso capitão e como reagiu quando o Jorge se aproximou deste jogador com sorriso patético.

Proença, o presidente que gosta de aparecer
Falta o Pedro Proença, o vaidoso de serviço. O presidente da Federação farejou palco e meteu-se num avião para a Escandinávia para uma “reunião de urgência”, deixando para trás o jogo dos sub-21 nos Açores, que podia valer o apuramento para o Europeu. Os nossos miúdos a lutar por Portugal em solo português e o presidente a correr atrás do protagonismo para fazer coisa nenhuma, com o dinheiro da Federação a pagar a viagem.
Chegou lá armado em capacete azul e, quando viu que não acrescentava nada, fechou-se em copas, a pensar com certeza nos milhões que a Federação pode perder. Vai destruindo o futebol português devagarinho, sempre com o mesmo sorriso. Foi árbitro envolto em graves polémicas, usou a Liga como trampolim sem deixar obra que se veja e chegou à Federação para arranjar problemas logo à entrada. Por onde passa deixa a mesma marca, a de um funcionário que gosta mais da cadeira do que da causa. Fez o favor a Jorge Jesus, foi o carrasco de Martínez e nunca soube ler quem é Ronaldo nem o que significam as palavras Respeito e Honra. Se tivesse um pingo de vergonha, assumia as responsabilidades e demitia-se, em vez de andar de avião, todo engravatado, a fazer de bombeiro de um fogo que ele próprio ateou.

A Selecção não é deles
A Selecção não pertence ao Jorge, nem ao Pedro, nem a meia dúzia de pseudovedetas com contratos milionários. Pertence ao povo português, ao emigrante em Moçambique ou em França que pendura a bandeira na varanda, ao reformado que vê os jogos no café da aldeia, ao miúdo que veste a 7 no recreio da escola.
Um dia Cristiano Ronaldo sairá, e sairá pelo seu pé e de cabeça levantada, nunca empurrado por gente vaidosa e de ego insuflado.
Honrou Portugal durante vinte e dois anos e merece honras de Estado.
Força, Capitão. O povo está contigo.

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