Combustíveis a preço de luxo num país com salários baixos

Atestar o depósito em Portugal tornou-se um exercício diário de indignação.
Não precisamos de ser economistas para perceber o impacto que o preço da gasolina e do gasóleo tem na vida das pessoas, basta olhar para o talão da bomba de combustível e comparamos com o ordenado que entra no final do mês.
O grande problema é que a política parece viver numa realidade à parte. Fala-se muito em apoiar as famílias e os jovens, mas, quando chega a hora de tomar decisões sobre baixar a carga fiscal sobre combustíveis, a resposta é NÃO!
O estado recusa-se a abdicar de um único cêntimo de receitas, ignorando quem precisa de trabalhar.
Ninguém pede milagres, pede-se apenas justiça!
Os veículos são meios de transporte indispensável. Taxar estes como se fossem um luxo é penalizar diretamente quem não tem outra alternativa.
Não podemos continuar a ter um estado forte com impostos e fraco no apoio a quem trabalha.
Reduzir os impostos sobre os combustíveis não é um favor aos portugueses é uma obrigação.
A verdade é que esta teimosia em manter os impostos no máximo sufoca a vida de quem acorda cedo para trabalhar. Vamos olhar para Guimarães, milhares de pessoas saem das freguesias todos os dias para ir para as fabricas, para o comercio, para as oficinas ou para o centro da cidade. Sem transportes públicos com horários ou rotas que sirvam o dia a dia de quem trabalha por turnos ou fora dos centros urbanos, o carro é a única ferramenta possível. Não é uma escolha, é uma obrigação.
Com os salários baixos que temos no nosso país, ver mais de metade do valor de um depósito de combustível ir direitinho para os impostos cobrados pelo estado é lamentável! É pedir às pessoas que paguem um preço de luxo para conseguirem simplesmente ir trabalhar e ganhar o seu ganha-pão.
E o problema não fica na bomba de gasolina.
Esta carga fiscal pesada sobre o gasóleo e a gasolina tem um efeito destruidor no resto da economia local. O transporte de mercadorias fica mais caro, a comida no supermercado sobe de preço e até os pequenos empresários ficam com a corda no pescoço. Ao final do dia, a fatura é cobrada sempre aos mesmos: à classe média e a quem ganha a vida com o seu trabalho.

Fala-se muito num país de fixar os jovens, mas como é que se espera que um jovem comece a sua vida independente quando o custo dos combustíveis consome uma grande parte do ordenado ao fim do mês? Governar exige ter os pés assentes na terra, ter sensibilidade para o dia a dia das populações e coragem para aliviar a pressão fiscal de
uma vez por todas.

Artigos do mesmo autor

Não existem publicações !