Espetáculo dos horrores

Tenho acompanhado o espetáculo dos horrores que tem vindo a ser perpetradopor seres vivos que, infelizmente, muitos deles ainda procuram descobrir a sua própria razão de existência.
É honroso quando se luta por uma causa maior que nós próprios, temos o exemplo do nosso Presidente, que com parcos recursos e com escassos apoiantes conseguiu criar um partido de raiz, algo que a maioria de nós não conseguiria.
Mas no caso concreto destes movimentos populares tendencialmente independentes, em que os seus membros têm alegadamente ostentado objetos ou emblemas relacionados com a corrente ideológica de esquerda, pergunto-me se efetivamente a maioria destes manifestantes alguma vez trabalhou, se alguma vez auferiu um rendimento certo, se são portugueses e se aderiram à
manifestação pelos motivos certos ou se foi simplesmente por ser uma trend ser-se rebelde.
É triste e lamentável usar este tipo de temáticas somente para achincalhar o Governo, mesmo que em parte mereça. Existem muitos cidadãos de bem e trabalhadores que se têm debatido em silêncio para conseguirem sobreviver com dignidade ao galopante aumento das rendas, estas pessoas dificilmente se agregarão neste tipo de manifestações, porque provavelmente estarão a trabalhar, a fazer horas extra ou num part-time adicional. O português de gema, que sempre foi desenvencilhado e desenrascado, prefere não fazer figuras com um cartaz com slogan manhoso só para aparecer em horário nobre de um qualquer canal televisivo.
Já foi referido diversas vezes que os valores das rendas estão amplamente relacionados com o conceito da lei da oferta e da procura, ou seja, o Governo anterior teve a amabilidade de acolher milhares de migrantes económicos, sem ter tido o cuidado de verificar os efeitos adversos da sua integração, o que trouxe uma forte pressão sobre a procura. Não se equacionou o impacto sobre parque escolar, sobre Serviço Nacional de Saúde ou, no caso concreto desta reflexão, sobre a habitação. Milhares de novas famílias em Portugal e poucas casas no mercado para alugar. O que é que se esperava? Um milagre?
O erro já foi cometido, resta agora ter-se coragem política e implementar medidas que visem reduzir a pressão sobre os diversos setores da sociedade, a fim de mitigar o florescimento de novas ondas reivindicativas. Entre estas medidas, destaca-se a revisão do processo de acolhimento e integração dos migrantes económicos, com base nos sistemas do Canadá, da Austrália ou dos Estados Unidos, por forma a ajustar a entrada de migrantes às reais necessidades dos empregadores nacionais em detrimento do reagrupamento familiar. Por fim, no que diz respeito a uma solução imediata, o Chega deve
pressionar o Governo a fim de se rever a permanência em Portugal de migrantes que não estejam devidamente integrados na sociedade portuguesa. Se não trabalham e pretendem receber subsídios por parte do Estado português, devem voltar para o país de origem, que os possa amparar.
O verdadeiro espetáculo dos horrores não está nas ruas, está na inércia. Portugal pode ser um país de acolhimento, mas acolher exige planeamento.
Enquanto a entrada de migrantes não acompanhar a capacidade de construir casas, as rendas continuarão a subir e as manifestações a crescer. Cabe a quem governa ter a coragem de o assumir antes que o descontentamento decida por nós.

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