PSP diz ter reforçado policiamento no Bairro da Boavista, em Lisboa, após relatos de assaltos

A Polícia de Segurança Pública (PSP) reforçou o policiamento no Bairro da Boavista, em Benfica, Lisboa, que se encontra em fase de realojamentos, após os moradores denunciarem uma vaga de assaltos na zona, informou hoje a força de segurança.

© Facebook/PSP

Numa informação escrita enviada à agência Lusa, o Comando Metropolitano de Lisboa disse estar a acompanhar a situação.

“A zona em causa foi reforçada com policiamento acrescido e irão ser incrementadas operações policiais específicas na área direcionadas para a prevenção da criminalidade”, adiantou a PSP.

Os moradores enviaram uma carta ao presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, à vereadora da Habitação, Filipa Roseta, à PSP, à Polícia Municipal, à empresa municipal Gebalis e ao presidente da Junta de Freguesia de Benfica, Ricardo Marques, a alertar para o problema.

“Embora a maioria das famílias já tenha sido transferida, ainda permanecem várias habitações ocupadas por moradores que aguardam o seu realojamento. Nos últimos meses, temos vivido em constante medo pela nossa segurança. Durante a noite, indivíduos encapuzados têm invadido as habitações para roubar, algumas delas ainda habitadas. Há umas noites deitaram fogo a uma casa desabitada. As pessoas estão aterrorizadas e abandonadas”, disse à Lusa Vera Lopes, uma das moradoras.

Por isso, foi enviada a carta a pedir rondas policiais regulares e para que haja uma solução habitacional alternativa para os residentes das casas de alvenaria, enquanto o processo de realojamento definitivo não fica concluído.

Contactado pela Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Benfica disse esta semana já ter pedido o reforço do policiamento à PSP e à Polícia Municipal (uma vez que se trata de património municipal e realojamento municipal), mas as famílias (22) dizem que ainda não veem os agentes no terreno.

“Nós temos um processo que está a ser relativamente lento para o que é habitual, de transferência de famílias, nesta fase de realojamento do Bairro da Boavista. Normalmente é um processo muito rápido […]. O realojamento está a ser feito desde 2010 progressivamente. O bairro e as casas de alvenaria, que são as casas com menos condições de habitabilidade, estão a ser reabilitadas por habitações novas”, disse Ricardo Marques.

Segundo o autarca, os serviços da Câmara Municipal de Lisboa e a Gebalis (empresa de gestão de bairros municipais) justificam o atraso no realojamento com a “complexidade de análise técnica destes últimos casos”.

“Aquilo que temos é uma parte grande do bairro, três ou quatro ruas, em que se calhar temos um habitante por rua com seis, sete casas abandonadas à volta da casa habitada. A câmara abandonou completamente a manutenção deste espaço, quer a iluminação pública, como nas estradas. […] Juntaram uma zona que está ao abandono com famílias a viver numa casa no meio de quatro ou cinco abandonadas à volta. Algumas emparedadas, outras não, o que cria um sentimento de insegurança brutal nestas famílias”, realçou.

O Bairro da Boavista é uma das zonas abrangidas pelo programa de intervenção e reabilitação municipal que arrancou em Lisboa em 2023. Com o Morar Melhor, a Gebalis pretende intervir num total de 11 bairros.

Segundo informação do município, o Bairro da Boavista, que inicialmente seria provisório, foi criado no Estado Novo para dar resposta à precariedade habitacional dos anos 1930 e 1940. Na década de 1970 foram construídas mais de 500 casas de alvenaria, parte das quais começou a ser demolida em 2016 para dar lugar a novas habitações.

Em 2023 a Gebalis indicou estarem previstas, até 2026, intervenções de reabilitação em 34 edifícios e cerca de 700 frações neste bairro, com cerca de 3.200 residentes, distribuídos por perto de 1.400 fogos municipais.

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