Forças Armadas no terreno com cerca de 2.600 militares em 40 municípios

Cerca de 2.600 militares estão no terreno para apoio direto às populações afetadas pelas tempestades que têm assolado Portugal continental, em 40 municípios, anunciou hoje o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA).

© Lusa

Em comunicado, o EMGFA detalha que estão empenhados 2.687 militares, 351 viaturas, 25 máquinas de engenharia e 55 botes, mais quatro semirrígidos e duas lanchas anfíbias de reabastecimento e carga, em cerca de 40 municípios.

Entre os apoios prestados pelos militares inclui-se transporte e distribuição de bens essenciais, como água e alimentos, missões de vigilância e reconhecimento aéreos; operações de bombagem de águas e trabalhos de apoio técnico a infraestruturas essenciais; e reforço das capacidades de produção de energia elétrica, através do emprego de geradores, “contribuindo para o restabelecimento de serviços essenciais em áreas afetadas por falhas de energia”.

Foram ainda recolocados “10 cavalos e 70 vacas em segurança”, é acrescentado na nota.

Desde o dia 28 de janeiro, as Forças Armadas já resgataram 132 pessoas, cederam e/ou instalaram 230 lonas para coberturas de casa, distribuíram mais de 500 refeições, disponibilizaram 1.860 camas em 15 unidades militares, e disponibilizaram 42 equipamentos Starlink para fornecer comunicações de emergência, estando 53 satélites em uso.

Entre os vários apoios prestados à população, as Forças Armadas portuguesas transportaram por via aérea cerca de 5 toneladas de material, incluindo bens de primeira necessidade, e forneceram 120 geradores.

“Mantêm-se disponíveis seis helicópteros, uma aeronave de transporte C-130 e uma aeronave de reconhecimento de asa fixa P3C da Força Aérea, em alta prontidão e uma aeronave KC-390, para este apoio específico”, lê-se no comunicado.

De acordo com a Lei de Bases da Proteção Civil, compete ao presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil, a pedido do comandante operacional nacional, solicitar ao Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) a participação de militares em missões de proteção civil, e após pedido dos presidentes das câmaras municipais.

É ao comandante operacional nacional que compete “avaliar o tipo e dimensão da ajuda a solicitar, bem como a definição das prioridades”.

Os militares atuam mediante autorização do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e são empregues sob cadeia de comando militar, “sem prejuízo da necessária articulação com os comandos operacionais da estrutura de proteção civil”.

A lei estabelece, contudo, que “em caso de manifesta urgência, os presidentes das câmaras municipais podem solicitar a colaboração das Forças Armadas diretamente aos comandantes das unidades implantadas na respetiva área”.

Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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