Doentes oncológicos reclamam falta de medicamentos no Hospital de Braga

A Comissão de Utentes da Saúde de Braga alertou hoje que vários utentes oncológicos do Hospital de Braga estão sem medicamentos desde quinta-feira, mas o hospital nega "rutura de fármacos" e diz que há "apenas uma gestão criteriosa".

© D.R.

Em declarações à Lusa, José Lobato, coordenador da associação Comissão de Utentes da Saúde de Braga, explicou que está a receber desde quinta-feira, 12 de fevereiro, relatos de vários doentes oncológicos que estão a fazer quimioterapia do Hospital de Braga e que deixaram de receber a medicação diária necessária.

“Desde 12 de fevereiro tenho relatos de vários utentes que fazem quimioterapia e não lhes são fornecidos os medicamentos para a continuidade do tratamento da quimioterapia e que o hospital lhe diz que estão em restruturação”, descreveu José Lobato, acrescentando que depois as pessoas têm de ir à farmácia comprar e “pagar do próprio bolso”.

Num esclarecimento por escrito enviado hoje à agência Lusa, relativamente à falta de medicamentos, o Hospital de Braga recusa que haja qualquer falta de medicamentos e que o que tem ocorrido é uma “gestão criteriosa das quantidades entregues” aos utentes para a salvaguarda de todos os tratamentos.

“Esclarece-se que nunca se verificou uma rutura de fármacos, tendo ocorrido apenas uma gestão criteriosa das quantidades entregues para salvaguardar a continuidade de todos os tratamentos”.

O hospital admite, no entanto, que esta medida tenha exigido deslocações mais frequentes.

“Embora esta medida tenha exigido deslocações mais frequentes num período transitório, a Unidade Local de Saúde (ULS) Braga reitera que a segurança terapêutica nunca foi comprometida, mantendo o compromisso de elevar a eficácia deste serviço crítico”.

Numa informação veiculada na sua página oficial da rede Facebook, a Comissão de Utentes da Saúde de Braga manifesta a sua preocupação “face à informação sobre eventual falta de medicamentos destinados a doentes oncológicos no Hospital de Braga” e lembra que “o acesso regular aos tratamentos é um direito dos utentes e uma obrigação do Serviço Nacional de Saúde”.

A Comissão de Utentes da Saúde de Braga pede um “esclarecimento público urgente” sobre que medicamentos estão em falta, quais os motivos, que medidas foram adotadas, quando será reposta a normalidade”.

O coordenador da Comissão de Utentes da Saúde em Braga avança à Lusa que está a preparar uma “exposição” sobre este assunto para enviar ao Presidente da República, ao primeiro-ministro, ao Ministério da Saúde, à Comissão de Saúde da Assembleia da República e aos grupos com assento no parlamento.

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