Há discursos políticos que não resistem ao primeiro contacto com a realidade. E depois há a habitação social em Guimarães, um caso quase caricatural da realidade vivida pela grande maioria dos Vimaranenses.
Recentemente, o Partido Socialista em Guimarães, RESPONSÁVEL PELOS ÚLTIMOS 36 ANOS DE GOVERNAÇÃO NESTA CIDADE, apressou-se a garantir, para a comunicação social, que seria necessário um levantamento exaustivo de todo o parque habitacional para identificar uma ou outra irregularidade. E, no mesmo fôlego, procurou desvalorizar críticas, afirmando que o Chega Guimarães nada faz além de “ruído” e lançar “anátemas” sobre os cidadãos mais desfavorecidos.
Uma narrativa conveniente, politicamente útil… mas completamente desligada da realidade.
A verdade? Não foi preciso percorrer bairros inteiros. Não foi preciso semanas de inspeções, relatórios ou comissões. Bastou bater à primeira porta.
E o que encontramos? Um casal a ocupar um T3… onde nem 40€ de renda pagam.
Mais quartos do que pessoas na mesma habitação, pagos com impostos de quem todos os dias se levanta para trabalhar e alimentar de forma obrigatória este sistema que se está a tornar insustentável.
Se isto não levanta questões, então já não sabemos o que levanta.
Isto não é um caso isolado. É um sintoma. Um sinal claro de um sistema que falha naquilo que devia ser básico: justiça, equilíbrio e responsabilidade na atribuição de recursos públicos.
Enquanto há famílias inteiras à espera de uma solução digna, enquanto jovens casais não conseguem sair de casa dos pais, enquanto trabalhadores vivem esmagados por rendas incomportáveis… há casas sociais mal atribuídas e subaproveitadas.
E ainda se tem a coragem de dizer que é preciso “avaliar melhor”?
Não. O que é preciso é AGIR.
Fiscalizar a sério. Rever critérios. Reavaliar situações de forma periódica e obrigatória. E, acima de tudo, ter coragem política para enfrentar aquilo que durante anos foi sendo empurrado para debaixo do tapete, em vez de desviar atenções com discursos moralistas.
Porque isto não é apenas uma questão administrativa. É uma questão de justiça social.
Quem ocupa mais do que precisa, num sistema que é pago por todos, está a retirar a alguém aquilo que lhe faz falta. E isso tem um nome: ABUSO.
Se o sistema permite esse abuso, então o sistema está errado. Mas se, depois de identificado, nada acontece… então o problema deixa de ser técnico e passa a ser político.
E nessa altura, alguém tem de ser responsabilizado.
Não basta corrigir no papel. Não basta prometer mais estudos. E quem permitiu que isto acontecesse, por ação ou omissão, não pode continuar impune, tem de pagar os abusos que permitiu do o seu próprio bolso..
A habitação social não pode ser um jogo de conveniências. Tem de ser um instrumento de justiça.
E, neste momento, está longe de o ser.