Adiado acórdão do caso das agressões a enfermeiros em Famalicão

O Tribunal de Guimarães adiou hoje para 28 de maio a leitura do acórdão dos 12 arguidos no processo de invasão das urgências do hospital de Famalicão e agressão a dois enfermeiros e um segurança.

© DR

O adiamento ficou a dever-se a alterações não substanciais dos factos, hoje comunicadas aos advogados pelo juiz presidente do coletivo que está a julgar o caso.

Os arguidos, nove homens e três mulheres e todos familiares, estão acusados de três crimes de ofensa à integridade física qualificada, três crimes de ameaça, três crimes de coação agravada, um crime de dano com violência e um crime de introdução em lugar vedado ao público.

Um deles responde ainda por um crime de furto.

Os factos remontam à madrugada de 22 de fevereiro de 2022.

Segundo o Ministério Público, os arguidos, atuando em grupo e mediante ações de intimidação e atos de violência visando os profissionais de saúde, quiseram forçar a prestação de cuidados de saúde imediatos e nas condições por eles impostas a uma familiar acidentada.

Com esse propósito, os arguidos desferiram “vários socos” na porta de acesso reservada às urgências, partindo um dos vidros e, dessa forma, conseguiram alcançar essa área reservada.

Uma vez nessa área, pegaram numa maca e foram buscar a familiar acidentada, transportando-a para o interior das urgências, sem aguardarem pelo procedimento de registo e triagem e exigindo sempre “em tom alto e ameaçador” um atendimento imediato.

Um enfermeiro apelou à calma e tentou impedir a invasão das urgências, mas foi agredido com socos e pontapés, agressões que terão continuado mesmo depois de o profissional de saúde ter ficado “prostrado no chão”.

As agressões terão sido desferidas “com especial incidência na cabeça”, tendo os agressores utilizado ainda uma barra metálica de suporte de soro que retiraram das macas.

Uma outra enfermeira que foi em socorro do colega também foi agredida com as barras de suporte de soro, tendo ainda sido vítima de puxões do cabelo e de bofetadas.

Por sua vez, o segurança que exercia funções no hospital foi empurrado e atingido com murros e pontapés por todo o corpo e com um golpe com um ferro na cabeça.

Após as agressões, os arguidos abandonaram o hospital e levaram consigo a familiar acidentada, sem que esta tivesse sido assistida.

Um dos arguidos ainda retirou e guardou para si um telemóvel pertencente ao enfermeiro agredido.

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