Forças Armadas Portuguesas: rigor, exigência e respeito

A proposta do PSD e do CDS para transformar as Forças Armadas Portuguesas, numa espécie de internato de férias ou escola de condução revela uma preocupante falta de entendimento sobre a natureza, a missão e a exigência desta instituição fundamental do Estado.

Não está em causa a necessidade de aproximar os jovens da Defesa Nacional. Pelo contrário, é desejável fomentar o interesse e o sentido de serviço público. Contudo, fazê-lo através de programas dispendiosos e desajustados à realidade militar levanta sérias dúvidas. Estima-se que a participação de dois mil jovens nestas experiências imersivas possa custar cerca de 4,5 milhões de euros, um investimento difícil de justificar perante as reais necessidades das Forças Armadas.

Portugal, dispõe já de regimes de voluntariado e de contratos que permitem o ingresso de cidadãos motivados e preparados. Além disso, possui unidades de elevada exigência e prestígio internacional, como os Comandos, as Operações Especiais, os Paraquedistas e os Fuzileiros, incluindo o Destacamento de Ações Especiais. Estas forças operam em contextos de alto risco, onde são manuseadas armas, explosivos e onde o desgaste físico e psicológico está muito acima da média.

Num contexto geopolítico cada vez mais instável, o país precisa de investir em recursos humanos qualificados, inovação tecnológica e melhores condições para os seus militares. São necessários incentivos reais, carreiras valorizadas e meios adequados, não medidas simbólicas que desvirtuam a essência da instituição.

As Forças Armadas Portuguesas têm provas dadas, quer no plano interno, quer em missões internacionais, sendo frequentemente das primeiras a intervir em cenários de crise. Esse reconhecimento deve ser preservado com seriedade, rigor e respeito.

Reforçar a Defesa Nacional exige visão estratégica, não simplificação. É tempo de valorizar quem serve, manter elevados padrões de exigência e continuar a fortalecer a articulação entre instituições, nomeadamente no combate a ameaças como o narcotráfico.

Por Portugal e pelos portugueses!

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