Cada vez mais crianças têm na escola a única refeição quente do dia

Professores, assistentes e associações alertam para aumento de alunos que dependem da cantina escolar para terem uma refeição completa.

© D.R.

Há crianças que chegam à escola sem pequeno-almoço. Outras levam apenas um pacote de bolachas na mochila para o resto do dia. E há cada vez mais alunos para quem o almoço servido na cantina é a única refeição quente que vão comer até à manhã seguinte.

O alerta está a soar dentro das escolas portuguesas, onde professores, assistentes operacionais e associações de apoio social dizem estar a assistir ao agravamento silencioso da pobreza infantil.

A crise do custo de vida, os salários baixos e o aumento das despesas das famílias estão a empurrar milhares de crianças para situações de carência alimentar cada vez mais visíveis dentro das salas de aula.

Em muitos casos, é na escola que a fome se torna impossível de esconder.

Há alunos que repetem pão no final da refeição para conseguirem guardar comida para mais tarde. Outros pedem discretamente fruta extra para levar para casa. E há professores que admitem gastar dinheiro do próprio bolso para garantir pequenos-almoços ou lanches a crianças que passam horas sem comer.

Nos últimos meses, segundo adianta a SIC Notícias, direções escolares e instituições sociais têm identificado um aumento do número de famílias que pedem apoio alimentar. O fenómeno atinge sobretudo agregados com empregos precários ou rendimentos insuficientes para acompanhar o aumento das rendas, da eletricidade, dos combustíveis e dos alimentos.

Crianças cansadas logo pela manhã, dificuldades de concentração nas aulas e alunos que demonstram ansiedade nos períodos das refeições são algumas das situações descritas por profissionais de educação.

Para muitas famílias, a cantina escolar transformou-se numa rede de sobrevivência.

A refeição servida ao almoço garante, em muitos casos, aquilo que em casa já não é possível assegurar diariamente: sopa, prato principal e comida quente.

Especialistas alertam que a privação alimentar em idade escolar tem consequências profundas no desenvolvimento físico, emocional e cognitivo das crianças. A falta de alimentação adequada pode afetar o rendimento escolar, aumentar problemas de saúde e agravar situações de exclusão social.

Além de espaço de aprendizagem, tornaram-se também um dos principais pontos de apoio social para milhares de crianças em Portugal.

Num país onde a pobreza infantil continua a atingir dezenas de milhares de famílias, a realidade começa agora a entrar de forma cada vez mais evidente pelas portas das salas de aula.

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